EUA incluem Cuba em lista de países que não cooperam contra o terrorismo
Vendedor de frutas e vegetais sentado em uma rua de Havana, em Cuba - Yamil Lage - 20.dez.2023/AFP
Os Estados Unidos incluíram novamente Cuba e mantiveram a Venezuela no grupo de países que não cooperam plenamente com a luta antiterrorista, informou na terça-feira (13) o Departamento de Estado.
O presidente do país, Donald Trump, aumentou a pressão sobre a ilha desde que voltou à Casa Branca para um segundo mandato. Em 20 de janeiro, dia de sua posse, o republicano revogou a decisão de seu antecessor, o democrata Joe Biden, de retirar Cuba de outra lista, a de países patrocinadores do terrorismo.
Agora o chefe da diplomacia, Marco Rubio, filho de cubanos que emigraram para os EUA antes de Fidel Castro chegar ao poder na ilha, aperta ainda mais o cerco.
“Em 2024, o regime cubano não cooperou plenamente com os EUA em matéria antiterrorista”, afirma a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, em comunicado especificando que outros quatro países —Venezuela, Coreia do Norte, Irã e Síria— permanecem na lista.
“Havia pelo menos 11 fugitivos da Justiça americana em Cuba, incluindo vários que enfrentavam acusações relacionadas ao terrorismo, e o regime cubano deixou claro que não estava disposto a negociar para que eles comparecessem diante da Justiça em nosso país”, acrescenta Bruce.
A inclusão na lista de “país não plenamente cooperativo” (NFCC, na sigla em inglês) no combate ao terrorismo implica a “proibição da venda ou concessão de licenças para a exportação de artigos e serviços de defesa” a Cuba. Por mais de seis décadas, Washington impôs um embargo comercial à ilha.
Trump o endureceu durante seu primeiro mandato (2017 a 2021), como nunca antes. O republicano, por exemplo, voltou a incluir a ilha na lista de patrocinadores do terrorismo, uma medida que dificulta transações e investimentos porque as empresas se expõem a sanções americanas.
Antes de chegar ao poder em 2021, Biden prometeu mudanças em relação a Cuba, mas as adiou após a repressão às manifestações contra o regime ocorridas em julho de 2021 na ilha, que resultaram em um morto e dezenas de feridos. Pouco antes de deixar o poder, o democrata afrouxou as sanções para facilitar a libertação de centenas de presos políticos em território cubano.
O representante dos Estados Unidos, Mike Hammer, nomeado durante o mandato de Biden, percorre a ilha para conhecer de perto a situação dos dissidentes.
Cuba nega a existência de presos políticos e acusa opositores de serem mercenários a serviço de Washington. A ilha atravessa uma grave crise que levou centenas de milhares de pessoas a emigrar para os EUA nos últimos três anos, tanto de forma irregular quanto legal, segundo dados oficiais.