EUA proíbem Cristina Kirchner de entrar no país por ‘corrupção significativa’

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A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner em cerimônia na cidade de Buenos Aires - Juan Mabromata/Juan Mabromata - 29.nov.23/AFP

O governo dos Estados Unidos impôs sanções na sexta-feira (21) sobre a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, seus dois filhos e um dos ministros de sua gestão à frente da Casa Rosada. Eles foram proibidos de entrar em território americano sob a acusação de “envolvimento em corrupção significativa”.

As restrições foram anunciadas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Ele disse que Cristina e o ex-ministro do Planejamento argentino Julio Miguel De Vido, também alvo das sanções, “abusaram de suas posições ao orquestrar e se beneficiar financeiramente de vários esquemas de suborno envolvendo contratos de obras públicas, resultando em milhões de dólares roubados do governo argentino”.

Rubio afirmou ainda que os políticos minaram “a confiança do povo argentino e de quem investe no futuro” do país.

Cristina foi presidente em dois mandatos, de 2007 a 2015, além de vice, de 2019 a 2023. No ano passado, a Justiça argentina manteve a sentença contra ela de seis anos de prisão e inabilitação perpétua para concorrer a cargos públicos. O processo é relacionado a um caso de corrupção em obras públicas. Atualmente, o caso tramita na Suprema Corte.

Cristina Kirchner, 72, preside o Partido Justicialista e é a principal referência da oposição ao presidente Javier Milei. Caso a sentença se torne definitiva, ela não cumprirá pena na prisão por ter mais de 70 anos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é próximo de Milei. Nas redes sociais, Cristina fez referências a escândalos relacionados aos dois ao compartilhar a notícia sobre a proibição.

“Poderia ser um golpe cripto? Porque a verdade é que eu não cometi nenhum golpe de criptografia nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar. E minha filha, menos ainda”, escreveu ela, em referência ao caso que ficou conhecido como criptogate, o escândalo que envolve a divulgação, por Milei, da criptomoeda $Libra, cujo preço despencou momentos depois.

“Meu filho abusou sexualmente de um jornalista ou escritor na loja mais cara de Nova York? Ou será que ele poderia ter subornado alguma prostituta americana para que ela não revelasse que ele havia contratado seus serviços porque isso o prejudicaria em sua campanha? Nenhum… Nenhum deles”, acrescentou ela em referência a Trump.

O republicano foi considerado culpado em 2023 por abuso sexual da jornalista Elizabeth Jean Carroll na década de 1990 e por tê-la difamado ao chamá-la de mentirosa. Ele aindafoi condenado por ter falsificado registros empresariais para encobrir pagamentos a atriz pornô Stormy Daniels e, assim, evitar que ela revelasse durante a campanha de 2016 ter supostamente mantido relação sexual com ele em 2006.

Cristina tem dois filhos, Máximo e Florencia Kirchner. A ex-presidente se compara a líderes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso por 580 dias, mas que depois teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Cristina diz que ambos são (ou foram) perseguidos políticos.

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