Eurasia: Brasil é “exceção” na estratégia de Trump na América do Sul; entenda
Lula e Trump se encontram na Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/PR
por coluna Paulo Cappelli, do portal Metrópoles
O Brasil é tratado como uma “exceção política” na América do Sul no relatório Top Risks 2026, da Eurasia Group, que elenca os principais riscos geopolíticos globais para 2026. Segundo a consultoria, o país não integra o grupo de governos sul-americanos que vêm se aproximando politicamente de Washington (EUA), embora mantenha interações no campo econômico e institucional.
Segundo o documento, a região registra a ascensão de governos de direita com agendas alinhadas às dos Estados Unidos, especialmente em temas como combate ao crime, imigração e negócios. Ainda assim, os autores da análise avaliam que esse movimento não ocorre de forma homogênea e observam que esses governos avançam na aproximação com Washington, “com o Brasil e a Colômbia, antes das eleições, como exceções evidentes”.
Em um quadro-resumo sobre a atuação dos Estados Unidos em relação ao Brasil, a consultoria cita “tarifas punitivas e sanções [Lei Magnistsky] contra um ministro da Suprema Corte brasileira [Alexandre de Moraes], posteriormente retiradas, além de negociações para alívio tarifário em troca de cooperação em minerais críticos”.
A Eurasia também avalia que o governo do presidente Donald Trump pretende atuar diretamente em disputas eleitorais na América Latina. Segundo o relatório, o objetivo é “impulsionar candidatos alinhados nas próximas eleições no Brasil, Colômbia, Costa Rica e Peru”.
Essa avaliação integra uma análise mais ampla sobre a política externa dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, que, de acordo com a Eurasia, combina instrumentos de pressão econômica, sanções e incentivos comerciais.
Erosão da democracia dos EUA
O relatório Top Risks 2026 registra que “os Estados Unidos não podem ser classificados como uma democracia representativa em 2026”, em um contexto marcado pela concentração de poder no Executivo, pelo enfraquecimento dos mecanismos de freios e contrapesos e pelo questionamento recorrente de resultados eleitorais.
Segundo a análise, esse ambiente interno compromete a previsibilidade institucional do país e amplia a disposição do governo norte-americano para adotar decisões unilaterais na política externa, reduzindo o peso de consensos multilaterais e de normas tradicionais da ordem liberal.
Os autores observam que a erosão democrática nos Estados Unidos tende a produzir impactos diretos sobre aliados e parceiros, à medida que Washington passa a priorizar alinhamento político e lealdade estratégica em detrimento de compromissos formais com valores democráticos.
Nesse cenário, a Eurasia avalia que a política externa norte-americana assume um caráter mais transacional e personalista, com maior uso de tarifas, sanções e incentivos econômicos como instrumentos de influência política, inclusive sobre democracias consolidadas.