Fachin fala em contribuição de Barroso para democracia, e Gilmar diz não guardar mágoas
Os ministros do STF Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso - Pedro Ladeira - 10.out.2024/Folhapress
O anúncio da aposentadoria compulsória do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso deu início a uma série de homenagens ao ex-presidente do tribunal. As primeiras manifestações se deram no plenário do Supremo.
O presidente do STF, Edson Fachin, disse que o ministro deixou sua marca na construção do direito constitucional brasileiro. A atuação de Barroso no Supremo, diz Fachin, produziu “efeitos profundos [que] perdurarão ainda por muitas gerações”.
“Queremos que vossa Excelência saiba que sua contribuição para a democracia brasileira transcende os votos e as decisões. Vossa Excelência ajudou a construir uma cultura constitucional mais sólida, mais consciente, mais comprometida com os direitos fundamentais”, disse Fachin.
“Que sua trajetória continue inspirando gerações de juristas a amar o Direito com ideal, a defender a democracia com coragem, e a buscar a justiça com determinação”, completou.
O ministro Gilmar Mendes também manifestou apoio à decisão de Barroso. Os dois se envolveram em discussões no tribunal, em 2018, com acusações dos dois lados.
“O senhor é a mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia”, disse Barroso a Gilmar. “A vida para Vossa Excelência é ofender as pessoas. Qual a sua ideia? Qual sua proposta? Vossa Excelência é uma vergonha, é uma desonra para o tribunal. Vossa Excelência, sozinho, desmoraliza o tribunal. Está sempre atrás de algum interesse que não o da Justiça”, afirmou Barroso na ocasião.
“Não guardo mágoas”, disse Gilmar na quinta-feira (9). “Um grande abraço, seja feliz”.
O ministro Flávio Dino escreveu nas redes sociais que o STF perde no plenário o talento de um grande ministro. “Ele continuará a ser uma referência para nós, como um dos mais eruditos, inovadores e produtivos constitucionalistas brasileiros”, completou.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que Barroso foi importante para a defesa da Constituição e da democracia brasileira durante seus 12 anos dentro do Supremo.
“Todos encontramos consolo no fato de que, se perdemos o magistrado, o país continuará a contar com o jurista sempre culto, sempre aberto ao diálogo e sempre em busca do justo e do certo”, afirmou.
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou o equilíbrio de Barroso na defesa da democracia. “Registro meu reconhecimento pelo seu trabalho e desejo muito sucesso nesta nova caminhada. Fará falta na mais alta Corte do Brasil”, escreveu.