“Fala do Haddad foi inapropriada”, diz presidente da Câmara, Arthur Lira
Arthur Lira. Foto: 06/10/2022 REUTERS/Adriano Machado
Por Diego Mendes
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, rebateu na terça-feira (15) a declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, onde ele disse que a “Câmara está com muitos poderes.”
Em conversa com jornalistas, Lira disse que achou que foi inapropriada a fala do ministro em uma entrevista.
“Não há nenhum desencontro em relação a isso. Portanto, se não houver nenhuma sofreguidão do lado de lá, penso que os deputados e líderes não gostarão”.
Segundo o presidente da Câmara, não há nenhum interesse de sua parte em promover acirramento de ânimos.
“A Câmara tratou de dar todo o conforto para esse governo, nesse ano. Sem a PEC da Transição o governo não teria a tranquilidade orçamentária que tem, o arcabouço fiscal, a inédita reforma tributária e o Carf.”
Haddad, afirmou que a Câmara dos Deputados está com “poder muito grande” e que em sua trajetória política em Brasília “nunca viu nada parecido”.
O chefe da pasta ainda defendeu a necessidade de moderação na relação entre os poderes, e que a Câmara não pode utilizar esse protagonismo para humilhar o Senado Federal e o Executivo.
“A Câmara está com um poder muito grande e não pode usar esse poder para humilhar o Senado e o Executivo. Mas estão com muito poder mesmo, não vi isso em nove anos que passei aqui entre governo Lula e Dilma. Nunca vi nada parecido. Penso que tem que haver uma moderação, que precisa ser construída”, afirmou Haddad em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, gravada na última sexta-feira (11) e divulgada na segunda-feira (14).
Novo marco fiscal
Lira informou ainda que houve um “atropelo” na véspera em relação às conversas para aprovação do novo marco fiscal, referindo-se a mal-estar com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas ponderou que há possibilidade de o arcabouço ser resolvido já na próxima semana.
Segundo ele, a questão mais polêmica, que ainda carece de negociação, diz respeito à mudança nas regras de cálculo da inflação.
“Ficou marcada uma reunião com o relator, técnicos da Fazenda, da CMO, da Câmara, e líderes partidários para que se discuta a única matéria mais polêmica ainda, que é a questão da modificação do prazo para cálculo do IPCA”, disse o deputado a jornalistas.
Explicou que o assunto será debatido durante reunião com líderes partidários e, se os pontos em divergência chegarem a um acordo, o texto poderá ir a plenário no dia 22 de agosto, terça-feira que vem.
A proposta do arcabouço fiscal substituirá o teto de gastos e é uma das pautas prioritárias da equipe econômica no Congresso Nacional.
A pauta foi aprovada pelos deputados em maio deste ano, mas sofreu alterações no Senado. Por isso, precisa ser analisada mais uma vez pela Câmara.