Favorito a tribunal da Lava Jato doou para petista e criticou ditadura
Deputado Henrique Fontana (PT-RS) e Marcelo Bertoluci. Foto: Reprodução
Por Igor Gadelha
Primeiro colocado na lista tríplice para o TRF-4, o ex-presidente da OAB-RS Marcelo Bertoluci foi um dos doadores de campanha do deputado Henrique Fontana (PT-RS). Além disso, o advogado criticou a ditadura militar brasileira.
São duas características em seu currículo que, em tese, irritam o presidente Jair Bolsonaro, responsável pela indicação ao cargo à Corte, que julgou Lula e boa parte dos investigados na Operação Lava Jato.
Os dois momentos de aproximação com a pauta progressista aconteceram em 2014. Bertoluci doou R$ 1 mil para o petista na campanha eleitoral daquele ano, quando Fontana concorreu à reeleição na Câmara dos Deputados. Eles chegaram a posar juntos para uma foto (veja imagem acima).
Antes, no dia 20 de março de 2014, o então presidente da divisão gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil publicou artigo no jornal Zero Hora sobre a ditadura militar brasileira.
No texto, ele fala sobre ato promovido pela OAB-RS em memória das vítimas e diz que o golpe militar de 1964 iniciou um dos “períodos mais nefastos e nebulosos da história brasileira”.
“Um dos períodos mais nefastos e nebulosos da história brasileira completa 50 anos: o golpe militar de 1964. A instauração da ditadura no país está intrinsecamente ligada à trajetória de lutas da Ordem dos Advogados do Brasil contra o regime e em defesa das liberdades democráticas”, afirma.
Os adversários de Bertoluci têm usado tais fatos para evitar que o ex-presidente da OAB-RS seja escolhido pelo Palácio do Planalto para o cargo.
Bolsonaro já tem, em suas mãos, a lista tríplice para escolher um nome ao TRF-4. Além de Bertoluci, integram a lista a catarinense Ana Cristina Ferro Blasi e o paranaense Alaim Giovani Fortes Stefanello.