Filho de Nunes Marques: contratado por Vorcaro também advogou para megafraudador Ricardo Magro; saiba quem é

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Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou ao centro do caso Banco Master após documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicarem 11 pagamentos que somam R$ 281.630 ao escritório do advogado. Os repasses foram feitos pela Consult Inteligência Tributária, empresa que recebeu R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS entre agosto de 2024 e julho de 2025.

O novo dado recoloca Kevin no noticiário porque a Fórum já mostrou que ele aparece no fluxo financeiro de empresa abastecida por recursos vinculados ao entorno de Daniel Vorcaro. Antes disso, a revista também havia noticiado que o advogado foi contratado para atuar em processos do Grupo Refit, de Ricardo Magro, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.

Quem é Kevin de Carvalho Marques

Kevin de Carvalho Marques tem 25 anos e entrou formalmente na advocacia em 2024. O nome dele consta na lista de aprovados do 39º Exame de Ordem Unificado, homologado em 29 de fevereiro daquele ano. Ele é filho do ministro Nunes Marques, que integra a composição atual do Supremo Tribunal Federal.

Kevin aparece como único responsável pelo escritório que recebeu os pagamentos identificados pelo Coaf. Em material profissional, ele se apresentava como advogado com atuação em direito tributário e dizia se dedicar ao sistema tributário brasileiro e ao contencioso da área.

O nome do advogado passou a ganhar relevância nacional não apenas pelo parentesco com um ministro do STF, mas porque, em um intervalo curto de tempo, ele surgiu ligado a dois casos de alto impacto. De um lado, o caso Banco Master, que envolve Daniel Vorcaro. De outro, a defesa do Grupo Refit, conglomerado associado a Ricardo Magro e alvo de uma das maiores investigações recentes sobre fraude fiscal no setor de combustíveis.

Filho de Nunes Marques, com 1 ano de OAB, diz ter mais de 500 clientes e  usa escritório da tia - Estadão
Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Ligação com Ricardo Magro e o Grupo Refit

Em janeiro, a Fórum publicou que Kevin de Carvalho Marques havia sido contratado para atuar em favor do Grupo Refit. O conglomerado é controlado por Ricardo Magro e tem como principal ativo a antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.

A Refit virou alvo da Operação Poço de Lobato, deflagrada em novembro de 2025. Segundo o Ministério Público de São Paulo, em informações reproduzidas pela CNN Brasil, o grupo é investigado por fraude fiscal estruturada, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a ordem econômica e tributária, em apuração que aponta prejuízo bilionário aos cofres públicos. Em outra reportagem, a CNN informou que o conglomerado é apontado pela Receita Federal como responsável por mais de R$ 26 bilhões em sonegação e que Ricardo Magro é o principal alvo da ofensiva.

Também no fim de 2025,  sob a gestão de Magro, a Refit acumulou operações policiais, suspeitas antigas de manobras fiscais e episódios de interdição pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foi nesse contexto que Kevin passou a atuar em processos ligados ao grupo no TRF-1.

O que mostram os novos pagamentos ligados ao Master

O fato novo agora vem do caso Master. De acordo com reportagens baseadas em documentos do Coaf, a Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS no período analisado. A soma corresponde à totalidade do que entrou na empresa entre agosto de 2024 e julho de 2025, embora a consultoria tenha declarado faturamento de apenas R$ 25,5 mil.

Foi dentro dessa movimentação que o Coaf identificou, por amostragem, 11 pagamentos ao escritório de Kevin de Carvalho Marques, totalizando R$ 281.630. As transações da Consult foram classificadas pelo órgão como incompatíveis com a capacidade financeira declarada da empresa, observação que passou a integrar o conjunto de suspeitas levantadas em torno da circulação desses recursos.

Segundo a Fórum, o caso ampliou o escrutínio sobre a rede de relações em torno de Vorcaro. O escritório de Kevin afirmou que os pagamentos são lícitos e decorrentes do exercício regular da advocacia, com atuação voltada ao fisco administrativo. A Consult disse que prestou serviços de auditoria e consultoria tributária e que os valores pagos ao advogado se referem a serviços técnicos e de assessoria jurídica. A JBS declarou que contrata consultores para apoiar sua atuação tributária. Já o Banco Master não comentou nas reportagens citadas.

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