Flávio Bolsonaro chama ‘rachadinha’ de espuma e diz que Queiroz tinha autonomia em gabinete

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixa superintendência da Polícia Federal em Brasília após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no local - Diego Herculano - 16.dez.25/Reuters

por Folha de S.Paulo

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou na segunda-feira (6) que as investigações sobre o caso de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) são “espuma” e foram um ataque orquestrado para destruir sua reputação.

As investigações sobre o caso foram encerradas após o STF (Supremo Tribunal Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anularem em 2021 as provas coletadas. O arquivamento deixou uma série de questões em aberto sobre a movimentação financeira de Flávio antes de chegar ao Senado.

O senador foi denunciado em 2020 pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro sob acusação de liderar uma organização criminosa que recolhia parte do salário de ex-funcionários em benefício próprio. A suspeita era de que a prática desviou R$ 6 milhões de recursos públicos da Alerj.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Flávio buscou se desvincular das acusações.

“[Houve] toda essa espuma, todo esse ataque para tentar destruir minha reputação, e nunca teve início um processo criminal contra mim. Sabe quantas ligações financeiras tem com meus assessores? Zero. Sabe quantos assessores disseram que cobrei salário de volta para empregar no meu gabinete? Zero”, afirmou o senador.

Questionado sobre seu ex-assessor Fabrício Queiroz, pivô do escândalo das “rachadinhas”, Flávio também tentou se distanciar e afirmou que ele tinha autonomia para realizar pagamentos.

“O Queiroz cuidava de uma parte da minha assessoria que trabalhava em rua, fazia panfletagem, evento, e tinha autonomia sobre esse pessoal […] Ele falou que, de algumas pessoas que ele tinha empregado, ele cobrava uma parte do salário, mas obviamente não tinha minha concordância. Ele fala que eu jamais tive conhecimento disso.”

Queiroz depositou R$ 25 mil em dinheiro na conta da mulher de Flávio uma semana antes de o casal quitar a primeira parcela na compra de uma cobertura em construção na zona sul do Rio de Janeiro, segundo dados obtidos pelo Ministério Público após quebra de sigilo bancário do senador.

Em 2020, Flávio chegou a admitir que Queiroz também pagava suas contas pessoais.

No podcast, o senador afirmou, ainda, que as acusações seriam uma “narrativa” que surgiu logo após a eleição de seu pai, Jair Bolsonaro, em 2018.

Apesar do encerramento das investigações, ainda há questões em aberto sobre as movimentações financeiras de Flávio.

A investigação do MP-RJ mostrou que boa parte das despesas do senador era paga com dinheiro vivo, apesar de ele não ter realizado saques em volume correspondente e, até 2014, não ter qualquer fonte de renda declarada fora da atividade parlamentar.

Além do pagamento feito por Queiroz, a Procuradoria também identificou uma série de depósitos em espécie na conta de Flávio em datas anteriores ao pagamento de parcelas na compra de imóveis, que somaram R$ 281,5 mil.

A investigação também apontou uso de dinheiro vivo para o pagamento de impostos, móveis, passagens aéreas, plano de saúde e escola das filhas do senador.

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