Flávio Bolsonaro divulga samba-enredo chamando Lula de ladrão; veja vídeo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixa superintendência da Polícia Federal em Brasília após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no local - Diego Herculano - 16.dez.25/Reuters
por Folha de S.Paulo
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou no domingo (15) um vídeo feito com inteligência artificial que simula um samba-enredo chamando o presidente Lula (PT) de ladrão.
O vídeo publicado nas redes sociais do senador faz referência ao fictício “bloco do Luladrão” e tem imagens de Lula com roupa de presidiário ao lado da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.
“Lá vem o bloco do Luladrão, com a esbanja [em referência a Janja] dando a mão. Luxo, hotel, avião e a conta vai para o povão.” A canção cita o escândalo do INSS, sobre esquemas de fraudes contra a Previdência Social, o caso do Banco Master, também envolvido em um esquema de fraude, e sigilo com gastos do cartão corporativo.
“Ô Luladrão, abre esse cartão, se é tudo certo, não bota sigilo não”, diz outro trecho da canção.
Flávio Bolsonaro fez referência na publicação ao desfile que ocorre neste domingo em homenagem ao presidente Lula. O petista vai ser homenageado pela Acadêmicos de Niterói, escola de samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro.
O enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” exalta a trajetória do mandatário e traz trechos como o grito de guerra “olê, olê, olá, Lula! Lula!”, o mote “o amor venceu o medo” e referência ao número do PT nas urnas.
O desfile tem sido alvo da oposição, que critica a verba pública recebida pela escola para fazer o evento. O governo federal, por sua vez, aponta que o valor entregue à escola é o mesmo dado a todas as outras que compõem o Grupo Especial e diz que não teve ingerência na escolha do tema do samba-enredo.
“Diferente do desfile eleitoral do Lula, esse vídeo não usou dinheiro dos impostos”, afirmou Flávio Bolsonaro na publicação.
O senador herdou o espólio político do pai, Jair Bolsonaro (PL), que está preso por liderar uma tentativa de golpe. Flávio é tido como o principal adversário de Lula nas eleições de 2026.
O desfile de domingo (15) ocorreu em cenário de atenção, uma vez que, se houver pedido explícito de voto, pode configurar ilícito eleitoral.
Na quinta-feira (12), o TSE rejeitou, em decisão unânime, barrar o samba-enredo, mas fez alerta sobre risco de ilícito.
“A festa popular do Carnaval não pode ser fresta para ilícitos eleitorais de ninguém”, disse a ministra Cármen Lúcia, chamando a atenção para a possibilidade de excessos e abusos no dia do desfile.