Flávio Bolsonaro se firma como principal rival de Lula, indica Futura/Apex
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em entrevista à Folha na sede do jornal, em Brasília - Pedro Ladeira - 8.dez.25/Folhapress
A nova rodada da pesquisa Futura/Apex, divulgada na quinta-feira passada (22), confirma a leitura de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece como favorito, mas consolida um cenário de maior tensão competitiva em relação aos levantamentos anteriores.
Embora o presidente siga liderando os principais cenários de primeiro turno, seus percentuais oscilam em patamar inferior ao observado no fim de 2025, ao mesmo tempo em que a oposição passa a apresentar maior capacidade de concentração de votos, especialmente quando representada por Flávio Bolsonaro (PL).
O dado central não é a perda de liderança, mas a redução gradual da margem de segurança do presidente.
Nos cenários de primeiro turno, a diferença entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Republicanos) volta a se mostrar estrutural. Flávio aparece consistentemente em patamares mais elevados, frequentemente acima dos 35%, enquanto Tarcísio permanece na casa dos 28% a 30%, dependendo da configuração do cenário. Isso indica que o senador consegue capturar de forma mais eficiente tanto o eleitorado bolsonarista quanto o voto anti-Lula mais ideológico, reduzindo a dispersão de votos no campo conservador.
Com Flávio, o primeiro turno tende a se organizar de maneira mais polarizada, com Lula e o candidato da oposição concentrando a maior parte das intenções de voto e comprimindo o espaço para candidaturas intermediárias.
Já nos cenários com Tarcísio, Lula mantém percentuais semelhantes, mas a direita aparece mais fragmentada, com maior presença de votos distribuídos entre outros nomes, o que favorece indiretamente o presidente e amplia sua chance de encerrar a disputa já no primeiro turno ou chegar ao segundo com vantagem mais confortável.
Segundo turno
No segundo turno, a pesquisa reforça a leitura de que Flávio é hoje o adversário mais competitivo contra Lula. Embora o presidente siga numericamente à frente, a distância é menor do que em confrontos com Tarcísio, refletindo a maior capacidade de Flávio em consolidar transferências automáticas dentro do campo conservador. Ainda assim, Lula preserva vantagem sustentada por sua base regional, especialmente no Nordeste, e por níveis de conhecimento e recall que seguem superiores aos dos adversários.
Em síntese, a nova rodada confirma um cenário de favoritismo mantido para Lula, porém menos confortável do que no fim de 2025. A oposição avança com Flávio Bolsonaro se afirmando como o principal polo competitivo antes do início do pleito. Considerando o padrão de viés estatístico da pesquisa, é factível concluir que a disputa segue apertada – como em outros levantamentos da consultoria –, mas os dados de hoje indicam que o risco eleitoral para o presidente passa a depender menos de seu desempenho isolado e mais da capacidade da direita de se unificar em torno de um único nome viável.
Sobre a pesquisa
O levantamento, registrado no TSE sob o número BR-08233/2026, ouviu 2.000 entrevistados em 849 municípios entre os dias 15 e 19 de janeiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.