Força-tarefa pede à Justiça que Hytalo Santos perca acesso às redes

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Hytalo Santos

O Ministério Público da Paraíba, ao lado do Ministério Público do Trabalho, Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) e Polícia Civil, entrou com uma ação civil pública em que pede à Justiça da Paraíba que o influenciador Hytalo Santos não tenha mais acesso às redes sociais e que jovens que estejam sob sua tutela retornem para suas famílias.

A ideia é que a ação civil contribua para preservar a intimidade e dignidade dos adolescentes, além de contribuir para as investigações.

Além disso, a força-tarefa também recomenda que uma das empresas de Hytalo, que atua no ramo de rifas e sorteios, seja suspensa. A recomendação foi encaminhada para a Lotep (Loteria do Estado da Paraíba). Isso porque os órgãos reconhecem que a empresa faz uso irregular de imagem de menores de 18 anos.

O influenciador é investigado pela Promotoria da Paraíba desde dezembro do ano passado sob suspeita de exploração de adolescentes e crianças. O caso viralizou após o youtuber Felca, em vídeo intitulado “Adultização”, denunciar cenas de suposta exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais.

O influenciador Hytalo Santos promove vídeos com adolescentes que envolvem dinâmicas em que os jovens se beijam, frequentam festas com consumo de bebidas alcoólicas e aparecem em danças sensuais. No vídeo, Felca alerta que o influenciador lucra com a sexualização juvenil.

Hytalo, que acumulava mais de 12 milhões de seguidores no Instagram —que foi desativado na última sexta-feira (8)— e 5 milhões no YouTube, foi procurado pelo e-mail, mas não retornou até a publicação desta reportagem.

Em outras ocasiões, ele já se defendeu sobre a investigação do Ministério Público pelas redes sociais e afirmou que mantém uma família não tradicional. “O pessoal aqui de casa é como se fosse uma família. Mas o pessoal não nos vê como família porque não somos uma família padrão ou tradicional”, diz ele.

Ele ainda descreve que se trata de “uma ligação de muito amor e muito afeto”. “A gente vai lá [à Promotoria] e explica tudo. As mães dos emancipados vão lá, dão a versão delas, como nos conhecemos, como essa família se constituiu.”

Hytalo alega às autoridades que os pais autorizam que ele tenha tutela dessas crianças e adolescentes. Ele afirma ainda que os matricula em escolas particulares e arca com os gastos educacionais e, em troca, produz os conteúdos para redes sociais. Hoje, apenas duas adolescentes viveriam com ele.

“A recente divulgação de conteúdo audiovisual produzido por Felca, em boa hora, despertou atenção para a gravidade do problema para a sociedade, e veio somar o trabalho do Ministério Publico, cuja tarefa exige que o enfrentamento seja conduzido com responsabilidade, dentro dos limites da lei e com absoluto respeito à intimidade e dignidade das vítimas”, diz o órgão.

A Promotoria afirma ainda que todo o trabalho desenvolvido pelas instituições parceiras pauta-se na proteção das vítimas, na preservação de suas identidades e no compromisso inegociável com os direitos humanos.

“Ao mesmo tempo, reconhecemos a importância do papel da sociedade na denúncia de casos e no fortalecimento de uma cultura de proteção e cuidado com crianças e adolescentes. O Ministério Público seguirá atuando de forma firme, integrada e transparente, sempre em defesa dos que mais precisam de voz e proteção”, conclui a nota.

 

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