‘Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais’, diz Lula na COP30

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Lula faz discurso na cúpula de líderes pré COP30 — Foto: Mauro Pimentel/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante discurso na abertura da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), na quinta-feira (6), que “forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais”.

“Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades econômicas e degradação ambiental”, afirmou o petista em Belém (PA).

Durante o pronunciamento, Lula também disse que rivalidades entre países e conflitos armados em diferentes regiões do mundo drenam verbas que deveriam ser empregadas no combate ao aquecimento global.

“Enquanto isso, a janela de oportunidade que temos para agir está se fechando rapidamente. A mudança do clima é resultado das mesmas dinâmicas que, ao longo de séculos, fraturaram nossas sociedades entre ricos e pobres e cindiram o mundo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”, declarou o presidente.

No discurso, Lula afirmou que é “momento de levar a sério os alertas da ciência”, citando projeções que mostram milhares de mortes e prejuízos financeiros com a intensificação do aquecimento global.

“Mais de 250 mil pessoas poderão morrer a cada ano. O PIB global pode encolher até 30%. Por isso, a COP30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la”, disse.

O petista, que tem defendido a pesquisa de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas pela Petrobras, declarou ainda que é necessário que os países se afastem de combustíveis fósseis para tentar reverter o desmatamento.

“Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, disse.

A elaboração de um “mapa do caminho” contra o desmatamento e combustíveis fósseis é defendida por entidades do clima, que cobram a discussão do tema pelas autoridades e têm a expectativa de que esse planejamento esteja na resolução final da COP30.

O presidente também declarou que as mudanças climáticas estão sendo deixadas de lado por “interesses egoístas” que superam o bem comum.

‘Desconexão com mundo real’, diz Lula

Lula afirmou ver uma “desconexão” entre os salões em que diplomatas se encontram para debater questões geopolíticas e o mundo real.

E que a população, que pode não entender sobre emissões de gases ou toneladas métricas de carbono, é a quem mais sente a poluição.

“As pessoas podem não compreender o que são sumidouros de carbono ou reguladores climáticos, mas reconhecem o valor das florestas e dos oceanos. Podem não ser versadas em financiamento concessional ou misto, mas sabem que nada se faz sem recursos. Podem não assimilar o significado de um aumento de um grau e meio na temperatura global, mas sofrem com secas, enchentes e furacões”, afirmou Lula.

Para o petista, o combate à mudança do clima “deve estar no centro das decisões de cada governo, empresa e pessoa”.

Ao final do discurso, Lula disse que muitos duvidaram da viabilidade de uma COP em um estado da Amazônia, e disse que o evento só foi possível devido ao empenho de homens e mulheres que trabalharam na preparação do local para recebimento das autoridades. E pediu aplausos aos trabalhadores de Belém.

10 anos do Acordo de Paris

O presidente brasileiro ressaltou ainda a importância do Acordo de Paris, tratado assinado em 2015, durante a COP21, com principal objetivo de manter o aquecimento global do planeta abaixo de 2°C até o final do século e buscar esforços para limitar esse aumento até 1.5°C.

“A força do Acordo de Paris reside no respeito ao protagonismo de cada país na definição de suas próprias metas, à luz de suas capacidades nacionais. Passada uma década, ele se tornou o espelho das maiores qualidades e limitações da ação multilateral”, disse.

“Graças ao Acordo, nos afastamos dos prognósticos que anteviam aumento de até cinco graus na temperatura média global até o final do século”, completou Lula.

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