Forma de contratar mudou muito, e jovem está mais exigente, diz Luiza Trajano
Luiza Helena Trajano é a CEO do Magazine Luiza. Foto: EFE/Sebastião Moreira
A empresária Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, disse na sexta-feira (15) que a forma de recrutar profissionais mudou muito e que os jovens estão mais exigentes no mercado de trabalho.
“Desde o pós-Covid tenho discutido muito isso em palestras. A forma como você recrutava profissionais mudou muito, e a gente não pode vir com as velhas práticas para poder recrutar”, afirmou Trajano em entrevista após participação no Rio Innovation Week 2025, na capital fluminense.
A empresária foi uma das palestrantes do último dia do evento de tecnologia, que movimentou o Píer Mauá, na área central da cidade.
“Vocês que são mais jovens querem trabalhar num lugar que tenha proposta, que tenha compromisso e que deixe vocês terem o bem-estar de vocês”, disse Trajano.
Na sexta (15), Trajano rebateu afirmações de que o jovem “não quer saber de nada”.
“Conheço muitos jovens que querem saber, só que a forma de dar o tempo dele é muito diferente do que ele dava antigamente. Ele é muito mais exigente.”
Segundo a empresária, o avanço da IA (inteligência artificial) fará muito pelo jovem, mas não construirá o que ela chamou de “relações”.
A fala da empresária ocorre em um momento de aquecimento no mercado de trabalho do país, com aumento de vagas com carteira assinada, mas também de mudanças nas relações profissionais.
Um sinal disso é que o número de profissionais por conta própria tem aumentado. A busca por flexibilidade é uma das possíveis razões apontadas por analistas para explicar o avanço dos autônomos.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta sexta que a taxa de desemprego atingiu a mínima de uma série histórica em 12 estados no segundo trimestre.
A pesquisa em questão, a Pnad Contínua, começou em 2012 e também já havia apontado o menor nível de desocupação para o país como um todo. A taxa nacional foi de 5,8% nos três meses até junho, ficando abaixo de 6% pela primeira vez na série.
Em meio a esse contexto, empresários vêm se queixando de dificuldades para contratar.
A região do Brás, em São Paulo, considerada a maior feira a céu aberto da América Latina, enfrenta um apagão de mão de obra, com falta de mais de 10 mil funcionários, segundo a Alobrás (Associação dos Lojistas do Brás).