França investigará linchamento de ultradireitista como homicídio doloso

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Torcedores do Lyon estendem faixa com mensagem 'Descanse em paz, Quentin', em partida contra o Nice - Olivier Chassignole - 14.fev.26/AFP

por AFP

A Justiça francesa investiga a morte do ativista de ultradireita Quentin Deranque como “homicídio doloso”, afirmou na segunda-feira (16) o promotor de Lyon, Thierry Dran.

Deranque, morto no sábado (14), foi derrubado e espancado por “pelo menos seis indivíduos” encapuzados na quinta-feira (12), à margem de um evento da eurodeputada de ultraesquerda Rima Hassan em Lyon, informou Dran. Ele disse que ainda não houve detenções e que o trabalho para identificar os agressores continua.

A morte de Deranque abalou a política da França a um mês das eleições municipais e levou o governo a acusar a ultraesquerda de incentivar “um clima de violência”, especialmente o partido de Rima, a França Insubmissa (LFI). O cenário é de crescente polarização antes das eleições municipais de março e da corrida presidencial de 2027.

No domingo (15), o ministro da Justiça, Gerard Darmanin, acusou políticos da LFI de instigar atos violentos em seus discursos. O mesmo tom foi adotado pelo porta-voz do governo, Maud Bregeon, para quem a LFI “incentivou um clima de violência durante anos”. “Existe, portanto, à luz do clima político e do clima de violência, uma responsabilidade moral por parte da LFI”, afirmou Bregeon em declarações ao canal BFMTV.

Após a confirmação da morte de Deranque, o presidente centrista Emmanuel Macron falou em “violência sem precedentes”. “Na República, nenhuma causa, nenhuma ideologia justificará jamais a morte”, afirmou na rede social X.

A ultradireita atribuiu o ataque a ativistas do movimento antifascista Jeune Garde (Jovem Guarda), co-fundado por um deputado da LFI antes de ser eleito e que foi dissolvido em junho do ano passado.
O grupo negou no domingo qualquer vínculo com os “eventos trágicos”.

Confronto com barras de metal

Segundo uma pessoa próxima à investigação ouvida pela AFP, a agressão ocorreu em meio a “um confronto entre grupos de ultraesquerda e ultradireita”.

Um suposto vídeo do ataque, divulgado pelo canal TF1, mostra cerca de dez pessoas agredindo três jovens no chão. Dois deles conseguem escapar. Uma testemunha disse à AFP que eles se agrediam com barras de metal.

O veterano líder da LFI e três vezes candidato à Presidência, Jean-Luc Mélenchon, rejeitou qualquer responsabilidade no caso.

As eleições municipais do mês que vem são consideradas um teste para a presidencial de 2027, que elegerá o sucessor de Macron, impedido de se candidatar após dois mandatos consecutivos.

As pesquisas de opinião apontam como favorita a legenda de ultradireita Reunião Nacional (RN). Com Marine Le Pen como candidata, a sigla passou ao segundo turno nas duas eleições presidenciais vencidas por Macron.

No entanto, Le Pen está atualmente inelegível por uma condenação por desvio de recursos públicos, contra a qual apresentou recurso. Ela indicou que decidirá se será candidata quando for anunciada, em julho, a pena do julgamento em segunda instância.

Caso a inelegibilidade seja mantida, Le Pen poderá ceder a liderança a seu protegido, Jordan Bardella, a quem já entregou a presidência da RN.

Com apenas 30 anos, Bardella apareceu como o presidenciável favorito em uma pesquisa com mil pessoas divulgada no domingo (15). Em segundo lugar ficou Le Pen, à frente do ex-primeiro-ministro centrista Edouard Philippe e do atual ministro da Justiça, Gerald Darmanin.

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