Gabinete de Netanyahu aprova medida que facilita compra de terras por colonos na Cisjordânia
Um homem palestino caminha ao lado de uma cerca decorada com bandeiras israelenses instaladas por colonos judeus após anunciarem o controle sobre a histórica estação de trem Al-Masoudia, ao norte da cidade de Nablus, no norte da Cisjordânia ocupada por Israel - Jaafar Ashtiyeh/AFP
por Folha de S.Paulo
O gabinete de Israel aprovou no domingo (15) novas medidas para reforçar o controle israelense sobre a Cisjordânia ocupada e facilitar a compra de terras por colonos, uma iniciativa que os palestinos classificaram como “anexação de fato”.
A Cisjordânia está entre os territórios que os palestinos reivindicam para um futuro Estado independente. Grande parte dela está sob controle militar israelense, com gestão limitada em algumas áreas administradas pela Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente.
O primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, que disputará eleições ainda neste ano, considera o estabelecimento de qualquer Estado palestino uma ameaça à segurança de Tel Aviv.
Sua coalizão, que possui uma grande base eleitoral nos assentamentos, inclui muitos membros que desejam ver Israel anexar a Cisjordânia, território capturado na guerra do Oriente Médio de 1967 e ao qual Tel Aviv afirma ter vínculos bíblicos e históricos.
Os ministros votaram a favor de iniciar um processo de registro de terras pela primeira vez desde 1967, uma semana após aprovarem outra série de medidas na Cisjordânia que provocaram condenação internacional.
“Estamos dando continuidade à revolução dos assentamentos e fortalecendo nosso domínio em todas as partes de nossa terra”, disse o ministro das Finanças Bezalel Smotrich.
O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o registro de terras é uma medida de segurança vital, enquanto o gabinete declarou em comunicado que se trata de uma “resposta apropriada aos processos ilegais de registro de terras promovidos pela Autoridade Palestina”.
O Ministério das Relações Exteriores disse que a medida promoverá transparência e ajudará a resolver disputas de terras.
A Presidência palestina condenou a medida, afirmando que ela constitui “uma anexação de fato do território palestino ocupado e uma declaração do início de planos de anexação destinados a consolidar a ocupação por meio de atividades ilegais de assentamento”.
A organização israelense de monitoramento de assentamentos Peace Now afirmou que a medida pode levar à expropriação de palestinos de até metade da Cisjordânia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, descartou a anexação israelense da Cisjordânia, mas o governo americano não tem feito esforços para conter a construção acelerada de assentamentos por parte de Israel.
Mais alto tribunal da ONU (Organização das Nações Unidas), a Corte Internacional de Justiça afirmou em parecer consultivo não vinculante em 2024 que a ocupação israelense dos territórios palestinos e os assentamentos ali são ilegais e devem ser encerrados o mais rápido possível. Israel contesta essa posição.