General mobilizou golpistas para criar ‘cenário caótico’ 2 dias antes de diplomação de Lula, diz PF

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Ônibus incendiado em Brasília em 12 de dezembro de 2022, data da diplomação de Lula - Pedro Ladeira-12.dez.2022/Folhapress

Contas de WhatsApp vinculadas ao general da reserva Mario Fernandes, ex-número dois da Secretaria-Geral da Presidência no governo Jair Bolsonaro (PL), encaminharam mensagens para criar um “cenário caótico” em Brasília dois dias antes da diplomação de Lula (PT) e forçar as Forças Armadas a agir.

O comunicado identificado pela Polícia Federal convocava os manifestantes para uma manifestação em 10 de dezembro de 2022. Lula foi diplomado em 12 de dezembro de 2022 —data antecipada em uma semana a pedido da campanha do presidente eleito diante dos protestos golpistas em frente a quartéis.

O texto compartilhado pelo WhatsApp em 2022 dizia ser preciso fazer “a maior mobilização da história do Brasil” em 10 de dezembro “para que o cenário caótico estabelecido a nível nacional seja impossível de ser resolvido sem a convocação das Forças Armadas”.

A mensagem também orientava as pessoas a repassarem a convocação individualmente e apagarem depois: “Depois de mandar essa mensagem e se certificar de que as pessoas a receberam, apague-a. Para que não fique registrado em nenhum WhatsApp. Chegou a hora, povo brasileiro”.

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Trecho do relatório da PF com comunicado disparado por WhatsApp para criar ‘cenário caótico’ em Brasília antes da diplomação de Lula – Divulgação PF/Divulgação PF

“A investigação identificou mensagens que foram encaminhados entre contas de WhatsApp vinculadas ao próprio general Mario Fernandes, possivelmente com o intuito de preservar o conteúdo e dificultar a identificação do interlocutor da mensagem”, diz o relatório da PF divulgado na terça-feira (26).

No dia em que Lula foi diplomado, bolsonaristas tentaram invadir a sede da Polícia Federal, em Brasília, incendiaram carros e ônibus, espalharam botijões de gás pela cidade e cercaram o hotel onde ele estava hospedado.

Mario Fernandes e Bolsonaro foram indiciados pela PF acusados de articular um golpe de Estado após a vitória de Lula. As provas reunidas pela investigação mostram que o general tinha contato direto com dois dos principais envolvidos no episódio de 12 de dezembro, Klio Damião Hirano e Rodrigo Yassuo Ikezili.

Em 10 de dezembro, Rodrigo enviou um áudio ao general em que afirma estar indo para a “manifestação da Esplanada”. Ele diz precisar conversar com Fernandes sobre o “churrasco” —um código, segundo a PF. Rodrigo volta a acionar o general nos dias seguintes e pede orientações para ele sobre o dia 12 de dezembro.

 

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