Genro de líder opositor da Venezuela é condenado a 30 anos em julgamento clandestino, diz família

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Rafael Tudares (esq.) ao lado da sogra, Mercedes Lopez, da esposa, Mariana González, e do sogro e opositor venezuelano Edmundo González, em imagem cedida pela família em 2024 - Arquivo pessoal via AFP

A justiça venezuelana condenou à pena máxima de 30 anos de prisão o genro do ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que qualificou a decisão como uma “retaliação” por sua reivindicação da vitória nas últimas eleições. González é líder opositor da ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela e defende ter vencido contra o ditador no pleito de 2024.

Rafael Tudares Bracho enfrentava acusações de “terrorismo” e a sentença foi informada por sua família, que denunciava seu “desaparecimento forçado”. O Ministério Público ainda não respondeu a um pedido da agência de notícias AFP para confirmar a decisão.

Os familiares já haviam afirmado nesta terça que Rafael estava sendo submetido a um julgamento clandestino pelo regime, quase um ano após sua detenção, ocorrida antes da posse do ditador, em janeiro. Tudares foi interceptado por homens encapuzados quando seguia com os dois filhos para uma escola, denunciou na época González, atualmente exilado na Espanha.

“Segundo me informaram as autoridades competentes, meu esposo Rafael Tudares Bracho teria sido condenado a 30 anos de prisão por supostos crimes graves previstos na legislação penal venezuelana, os quais, reafirmo, ele não cometeu: Rafael é inocente”, disse em comunicado Mariana González de Tudares, filha do opositor.

Ela afirmou que o julgamento teria ocorrido “em uma única audiência” de mais de 12 horas em 28 de novembro, sem que a conclusão da sentença fosse anunciada.

O opositor afirmou que esta é uma decisão “sem fundamento jurídico” e “incompatível com a Constituição”. É uma decisão “usada como retaliação política para tentar me afetar e distorcer a vontade expressa pelos venezuelanos em 28 de julho de 2024”, acrescentou.

Mariana já havia falado sobre o caso na terça (2). “Hoje, 2 de dezembro de 2025, à noite, tomei conhecimento de informações extraoficiais, publicadas nas redes sociais e em alguns meios digitais, sobre a suposta condenação que teria sido imposta ao meu marido Rafael Tudares Bracho, pela pena máxima de 30 anos de prisão”, declarou.

Publicações não confirmadas nas redes sociais já citavam essa suposta condenação a 30 anos de prisão. A família de Tudares está há quase 11 meses sem contato com ele. O advogado da família, José Vicente Haro, havia indicado na terça não ter conhecimento da sentença.

Em junho, autoridades venezuelanas informaram que Tudares seria julgado pelos crimes de terrorismo, conspiração, associação para delinquir e legitimação de capitais.

“Meu advogado e eu nos dirigiremos às autoridades competentes para solicitar as informações oficiais pertinentes, apesar dos grandes obstáculos e barreiras que foram impostos para obter informações sobre o caso e defender os direitos de Rafael”, acrescentou a esposa do detido.

Ela afirmou que “o processo judicial e o julgamento penal” contra seu marido “violam flagrantemente seus direitos humanos”.

A autoridade eleitoral do país proclamou a vitória de Maduro para um terceiro mandato consecutivo sem publicar os resultados detalhados do pleito. A oposição denunciou fraude após divulgar uma amostra abrangente das atas das mesas de votação, que o regime afirma serem falsas. Observadores internacionais não reconheceram a legitimidade da vitória de Maduro.

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