Gleisi defende ‘cargo honorífico’ para Janja e condições para atuação política da primeira-dama
Janja e Gleisi na posse de Alexandre Padilha no Ministério da Saúde - Adriano Machado - 10.mar.2025/Reuters
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), defendeu na sexta-feira (21) a criação de um cargo honorífico para a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.
Este tipo de cargo é público, mas sem remuneração ou vínculo com o Estado.
“Eu defendo, sim, um ponto, diria um cargo honorífico. Ela não vai receber nada, seja isso legalizado. Acho importante para que ela possa prestar as contas, falar, eu não vejo problema nenhum”, disse a ministra durante entrevista à CNN Brasil.
“Acho importante ela ter condições de atuar. Ela é a companheira do presidente da República, tem um peso social importante. As primeiras-damas muitas vezes têm representação sim de programas, de governo, mas da própria representação do Estado em alguns lugares e eventos”, disse.
Em resposta aos ataques da oposição à Janja, Gleisi lembrou atividades realizadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e programas da gestão de Jair Bolsonaro (PL), ações às quais se referiu como uma “confusão danada” em relação às verbas e prestação de contas.
O envolvimento de Janja em ações e articulações do governo vem sendo alvo de críticas sobretudo de membros da oposição. Como exemplo, estão os gastos da Presidência com as viagens da primeira-dama e sua equipe, com custos de pelo menos R$ 24 mil para bancar a ida de quatro assessores a Roma, em fevereiro.
O valor correspondia apenas às diárias pagas a esses auxiliares e não inclui passagens e hospedagens.
Na PGR (Procuradoria-geral da República), tramitavam pedidos de investigação sobre os gastos da primeira-dama, mas foram arquivados neste mês por Paulo Gonet.
Na última semana, a primeira-dama trancou sua conta de Instagram, restringindo as publicações apenas para seguidores devido a uma série de ataques misóginos nos comentários de suas fotos.
O machismo também foi citado por Gleisi na entrevista desta sexta como uma das motivações da oposição para mirar Janja.