Governo vê com satisfação queda parcial do tarifaço e seguirá negociando revogação total, diz Itamaraty

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Itamaraty. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Em nota na quinta-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores disse que o governo brasileiro recebeu com “satisfação”, a decisão dos Estados Unidos de revogar a tarifa adicional de 40% aplicada a uma série de produtos agropecuários importados do Brasil.

Passam a ficar isentos da taxa extra diferentes tipos de carne, café e diversas frutas, como manga, coco, açaí e abacaxi.

A ordem executiva que implementa a medida faz referência à conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, realizada em 6 de outubro, quando ambos concordaram em iniciar negociações para tratar das tarifas.

O texto da Casa Branca acrescenta que Trump recebeu recomendações de altos funcionários de seu governo de que parte das importações agrícolas brasileiras não deveria mais permanecer sujeita à sobretaxa, em razão do “avanço inicial das negociações” com o Brasil.

A medida tem efeito retroativo a 13 de novembro — data que coincide com a última reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio, em Washington, na qual os dois países discutiram formas de acelerar o processo para redução das tarifas.

O governo brasileiro afirmou que continuará empenhado no diálogo:

“O Brasil reitera sua disposição para continuar o diálogo como meio de solucionar questões entre os dois países, em linha com a tradição de 201 anos de excelentes relações diplomáticas.”

O Itamaraty informou ainda que o país seguirá negociando com os Estados Unidos para buscar a retirada das tarifas adicionais restantes que incidem sobre produtos da pauta comercial bilateral.

Brasil volta a ter acesso competitivo ao mercado dos EUA, avalia Ministério da Agricultura

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, considera que a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar as tarifas adicionais de 40% ao Brasil de produtos como café, carne e frutas volte a ter acesso competitivo ao mercado dos Estados Unidos.

“É uma excelente notícia para o Brasil, que é um importante provedor de alguns produtos agropecuários, e agora passa novamente a ter acesso competitivo ao relevante mercado dos EUA, apoiando assim na estabilização de preços para alguns produtos”, disse à Globonews.

Além da carne, do café e das frutas, Rua destaca a relevância da decisão especialmente sobre as cadeias produtivas da água de coco e das castanhas. “São produtos são muito relevantes.”

Ele explicou que o governo brasileiro procurou as autoridades americanas na semana passada, após o anúncio da tarifa linear de 10% para diversos países, incluindo o Brasil.

Na ocasião, Rua citou que o Brasil “questionou” e “chamou atenção” para o fato de a tarifa de 40% ter prevalecido.

No Itamaraty, a avaliação é que houve um “avanço importante”. Um dos principais motivos de comemoração foi o fato de a decisão de retirada das tarifas valer desde o dia 13 de outubro, ocasião da reunião entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em Washington.

Entenda o que Trump revogou

Os EUA anunciaram a retirada da tarifa de 40% de alguns produtos brasileiros. A decisão foi publicada pela Casa Branca.

A seleção inclui carne bovina, café, açaí, cacau e diversos outros produtos. São mais de 200 itens que foram acrescentados à lista de exceções do tarifaço aplicado ao Brasil.

A decisão é válida para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro, mesma data da reunião entre o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que tratou sobre as tarifas.

Na semana passada, o governo Trump já havia reduzido as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, incluindo café, carne, açaí e manga, aplicadas a diversos países. No caso específico do Brasil, as taxas haviam caído de 50% para 40%.

Produtos manufaturados seguem com tarifa de 40% para exportação para os EUA

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que retirou tarifas de 40% de alguns produtos brasileiros na quinta-feira (20), não incluiu produtos como máquinas, motores e calçados. Manufaturados seguem com os adicionais de 40%.

A medida beneficia carne bovina, café, açaí, cacau e diversos outros produtos. São mais de 200 itens que foram acrescentados à lista de exceções do tarifaço imposto anteriormente ao Brasil (veja abaixo).

A ordem é válida para os produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro. A data coincide com a reunião entre o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, quando o tema foi discutido.

Um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a nova decisão como “uma boa notícia e um passo na direção certa”, mas disse que o governo brasileiro segue preocupado com a situação dos manufaturados, visto como um setor importante para a economia.

Na semana passada, o governo Trump já havia reduzido as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, para vários países. No caso do Brasil, a alíquota havia caído de 50% para 40%.

Agora, itens como café, carne e frutas, incluídos nas duas decisões recentes, voltam às taxas de exportação praticadas antes do tarifaço anunciado por Trump.

Veja alguns dos produtos que tiveram a tarifa de 40% retirada:

  • Carne bovina (todas as categorias)
  • Café (verde, torrado e derivados)
  • Frutas frescas, congeladas e processadas — incluindo laranja, abacaxi, banana, manga, açaí
  • Cacau e derivados
  • Especiarias (pimenta, gengibre, canela, cúrcuma etc.)
  • Raízes e tubérculos (mandioca em todas as formas)
  • Sucos e polpas de frutas
  • Fertilizantes (ureia, nitratos, potássicos, fosfatados)

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