Governo vê dificuldade em resgatar brasileiros na Palestina pelo Cairo e estuda alternativas
Faixa de Gaza: saída que brasileiros planejavam usar é bombardeada. foto: reprodução
Por Vinícius Cassela
O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno, afirmou na quarta-feira (11) que o governo vê dificuldades em retirar brasileiros que estão em territórios palestinos pelo Aeroporto Internacional do Cairo, no Egito.
Segundo Damasceno, o Brasil passou a analisar rotas alternativas por outras cidades egípcias para evitar os trâmites na capital do país.
“Estamos analisando dois aeroportos ao Norte e Nordeste do Egito, com boas possibilidades de atendimento aos nossos brasileiros que estão na Faixa de Gaza, assim como o pessoal que está na Cisjordânia”, afirmou Damasceno.
Em linha, a distância entre o posto de Rafah – na fronteira do Egito com a Faixa de Gaza – e o Cairo é de pouco mais de 320 km. De carro, percorre-se um caminho um pouco maior, de 360 km.
Na terça (10), no entanto, o posto de Rafah foi fechado para todos os tipos de passagem. A região vem sendo atingida pela contraofensiva israelense.

Uma das rotas alternativas existentes, por exemplo, atravessaria Israel de norte a sul até o Golfo de Aqaba – área menos conflagrada até o momento. Essa opção, no entanto, aumenta o percurso em mais de 700 km.
De acordo com o comandante, um problema adicional na rota Rafah-Cairo é a quantidade de postos de controle (“checkpoints”) existentes no percurso. Tudo isso, segundo Damasceno, tornaria a viagem mais demorada.
“Tem uma análise muito bem elaborada junto ao Itamaraty. Os nossos embaixadores lá, os seus adidos nos três países, além de Egito, Israel, também na Jordânia, olhamos também para o Líbano. Temos certeza de que, apesar da sensibilidade desta missão, do pessoal da faixa de gatos de Jordânia, temos certeza que traremos todos”, afirmou o comandante.

Primeiro voo de resgate
O avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que resgatou o primeiro grupo de brasileiros que estava em Israel, pousou em Brasília durante a madrugada da quarta-feira (11). O voo, que partiu de Tel Aviv na terça-feira (10), durou cerca de 14 horas.
A aeronave KC-30 deixou Israel com 211 passageiros. Desse total, 107 ficaram em Brasília e outros 104 vão desembarcar na cidade do Rio de Janeiro.
Após a chegada ao Brasil, os passageiros serão transportados até seus destinos finais de forma gratuita. O governo informou que fechou uma parceria com a Azul Linhas Aéreas para as viagens dentro do país.
Até domingo (15), outros cinco voos devem sair do país para o resgate de brasileiros que estão na região, segundo o Itamaraty.
O governo deu prioridade a famílias com crianças, idosos, pessoas com deficiência ou enfermos.