Guerra na Ucrânia pode provocar fome no mundo; França propõe plano de segurança alimentar
O alerta foi feito nesta quinta-feira (24) pelo presidente norte-americano Joe Biden em Bruxelas: “a escassez mundial de alimentos vai se tornar realidade” devido a invasão russa. O francês Emmanuel Macron advertiu a Rússia que se não for feito o plantio de cereais na Ucrânia neste semestre, haverá um quadro inevitável de fome no Oriente Médio e no norte da África dentro de um ano.
Um mês após o início da invasão russa, os dois líderes participaram hoje de uma série de três cúpulas emergenciais para tratar da guerra na Ucrânia: da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), do G7 e do Conselho Europeu.
Biden assegurou que os Estados Unidos e o Canadá, grandes produtores de grãos, vão aumentar suas exportações para suprir a demanda mundial.
Emmanuel Macron pediu ao governo russo que faça mostra de responsabilidade internacional e permita que a temporada de semeadura na Ucrânia ocorra. Caso o plantio não seja feito neste semestre, o francês prevê que a guerra cause um quadro inevitável de fome dentro de 12 a 18 meses, que atingirá sobretudo os países do Oriente Médio e do norte da África.
Egito, Turquia, Bangladesh e Nigéria, países muito populosos, são alguns dos principais importadores de cereais da Rússia e da Ucrânia.
De acordo com Biden, os Estados Unidos também estão considerando “um investimento significativo para atender as necessidades de ajuda humanitária, particularmente em termos alimentares”.
Como presidente do Conselho da União Europeia, Macron propôs que o G7 crie um “plano de emergência para liberar estoques no caso de uma crise para evitar escassez de alimentos e aumentos de preços”.
Além disso, ele pediu “uma ação coordenada dos países produtores para aumentar temporariamente os limites de produção sempre que possível”. A iniciativa foi apresentada ao G7, mas o presidente francês pretende ampliar o acordo com os países do G20.
Ucrânia denuncia ameaça de guerra química e Otan promete reagir
Durante a reunião em Bruxelas, o presidente Volodymyr Zelensky alertou os líderes mundiais para a ameaça real do “uso em larga escala de armas químicas pela Rússia”. Zelensky chegou a mencionar que ataques com bombas de fósforo já tem ocorrido no território ucraniano.
Em resposta, os países da Otan emitiram uma série de advertências ao Kremlin. A Aliança Atlântica fornecerá à Ucrânia equipamentos de proteção contra ameaças químicas, biológicas e nucleares e anunciou que vai proteger suas forças destacadas nos países vizinhos.
“Estamos tomando medidas tanto para apoiar a Ucrânia quanto para nos defender”, disse o general Waters, o mais alto na linha de comando militar da Otan.
Com voto brasileiro, ONU exige fim imediato da guerra
Enquanto os líderes do G7 e europeus se reuniam em Bruxelas, a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, aprovou uma resolução que “exige” que a Rússia pare “imediatamente” sua “agressão” contra a Ucrânia, iniciada há um mês.
O texto foi aprovado por maioria esmagadora, 140 votos, inclusive o do governo brasileiro. Houve 38 abstenções e apenas cinco votos contrários, entre eles o da Rússia, o da Síria e o da Coreia do Norte.
A resolução “reitera o apelo do Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, para que a Federação Russa suspenda sua ofensiva militar, bem como seu apelo para um cessar-fogo e a retomada do diálogo e das negociações”.
(Com informações da AFP e da Reuters)