‘Há risco pontual de falta de diesel em abril’, alerta presidente da Abicom

Com o agravamento da guerra no Oriente Médio, o Brasil pode enfrentar falta de diesel “pontual e eventual” em abril, alertou Sérgio Araújo, presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), no Mercado Aberto, do Canal UOL.
Segundo ele, a importação encareceu porque a Petrobras mantém o preço interno abaixo do valor no mercado internacional, enquanto frete e seguro subiram com o conflito entre EUA e Israel e o Irã. Araújo disse que importadores e refinadores privados operam “um momento muito difícil” e apontou que o volume importado para abril está muito aquém.
” De qualquer forma, a gente está trazendo produto. Inclusive para o mês de março, nós estamos trazendo 1 milhão e 351 mil metros cúbicos de óleo diesel, o que vai garantir o abastecimento durante o mês de março. Para o mês de abril ainda existe uma certa preocupação exatamente por causa dessa postura da Petrobras de praticar preços extremamente defasados e ainda gerar incerteza no mercado quando ela não dá transparência de que volume efetivamente ela vai disponibilizar”. Sérgio Araújo
” As informações que a gente tem do volume já contratado para o mês de abril está muito abaixo da necessidade. Estamos falando aí da ordem de 300 mil metros cúbicos somente, quando normalmente se importa 1 milhão e 200, 1 milhão e 300 até 1 milhão e 400 mil metros cúbicos por mês. E essa dificuldade não é falta de interesse, mas é a dificuldade de realização de operações de importação devido a esses preços artificialmente baixos praticados pela Petrobras.” Sérgio Araújo
” Hoje na abertura do mercado o diesel está com 67% de defasagem, ou seja, mais de R$ 2,40 abaixo do preço médio. Os importadores precisam comprar esse produto no mercado internacional, ter o custo para trazer para o Brasil. Os fretes aumentaram bastante, o seguro também aumentou bastante com esse conflito lá no Irã.” Sérgio Araújo
O presidente da Abicom explicou que o risco de desabastecimento é maior nas áreas que precisam de mais diesel importado. Segundo ele, há uma concentração de refinarias da Petrobras no Sul e no Sudeste, o que pode gerar desequilíbrio de oferta entre as regiões do país.
” Nessa condição, diante desse cenário, existe sim risco de eventual e pontual desabastecimento, principalmente nas regiões que dependem mais do diesel importado.” Sérgio Araújo
Araújo comentou medidas do governo para tentar evitar que o aumento do diesel chegue ao consumidor, como subvenção e incentivo aos estados para zerar o ICMS sobre os combustíveis. Para ele, política pública pode aliviar o bolso em crises, mas não deve ser feita “por uma empresa que participa do mercado”.
” Eu acho que o governo tem que fazer política pública para, no momento de crise, aliviar o bolso do consumidor. Mas não pode ser feito por uma empresa que participa do mercado, que tem o capital aberto e que tem concorrente, não só importador como refinarias privadas também, que gera uma assimetria concorrencial muito grande e impede que o mercado funcione normalmente.” Sérgio Araújo