Haddad celebra queda da miséria e diz não concordar com críticas do mercado ao pacote de gastos
O ministro Fernando Haddad (Fazenda) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sessão solene no Congresso Nacional - Adriano Machado - 20.dez.2023/Reuters
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comemorou na quarta-feira (4) os dados que apontam uma queda da miséria no país no ano passado.
Ele também disse não concordar com as críticas do mercado financeiro ao pacote de cortes de gastos anunciado na semana passada pela equipe econômica.
As declarações foram dadas durante participação em evento promovido pelo portal “Jota” em Brasília.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil alcançou, em 2023, os menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica iniciada em 2012.
Os dados constam da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2024, que traz análises sobre as condições de vida da população brasileira.
“O IBGE acaba de dizer que estamos no menor índice de miséria da serie histórica, e conseguir fazer isso em menos de dois anos é uma coisa muito importante. Um país sem miséria e sem fome é a primeira providência que qualquer Estado deveria almejar”, declarou Haddad.
Segundo pesquisa divulgada na quarta-feira (4), a reprovação do governo Lula (PT) entre os agentes do mercado financeiro cresceu e chegou a 90%, após o anúncio do pacote de corte de gastos.
“Mandamos muita coisa ao Congresso. Mexemos com BPC, abono, salário mínimo, Bolsa Família. No sentido de buscar justiça, sabendo que é necessário fazer uma contenção dos gastos para não comprometer trajetória virtuosa que vivemos”, declarou Haddad.
De acordo com o ministro, os bancos, que emprestam recursos às pessoas físicas e empresas avaliam que o governo enviou um pacote de cortes de despesas ao Legislativo que está sendo “subestimado” por outra parte do mercado financeiro, a dos fundos que gerenciam aplicações financeiras.
“Não me parece que as medidas de contenção de gastos sejam irrelevantes como alguns estão querendo fazer parecer”, declarou o ministro da Fazenda. Ele acrescentou: “Não concordo com a avaliação que está sendo feita das medidas que enviamos”.
Haddad nega que isenção de até R$ 5 mil no IR seja ‘populista’ e diz que objetivo é ‘tributar melhor’
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu na quarta-feira (4) os anúncios feitos pela equipe econômica do governo na última semana – o pacote para cortar gastos e o projeto que eleva para R$ 5 mil a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
As medidas repercutiram mal no mercado financeiro, que considerou os cortes insuficientes e criticou o envio da mudança no Imposto de Renda em um momento de aperto fiscal.
“Dizem que a reforma da renda é populista, mas ela é neutra do ponto de vista fiscal, como a reforma do consumo é neutra. Não estamos pretendendo arrecadar mais ou menos, mas tributar melhor”, afirmou Haddad.
As declarações foram dadas durante participação em evento promovido pelo portal “Jota” em Brasília.
🔎 Ao dizer que a reforma tributária e a reforma do IR são “neutras“, Haddad quer dizer que elas não impactam o volume da cobrança de impostos. Ou seja: mudam o formato da cobrança, mas não geram uma taxação maior ou menor que a atual.
“Fazer uma reforma pra cobrar um mínimo pra quem ganha a partir de R$ 600 mil pra não cobrar de quem não está conseguindo pagar as contas do mês, não me parece populismo. Não me parece um gesto populista”, defendeu o ministro.
Reforma da renda em 2025
Embora tenha sido anunciado como um “contraponto” ao pacote de austeridade fiscal, o projeto que garante isenção no Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil mensais só deve ser enviado ao Congresso em 2025 e entrar em vigor, se aprovado, em 2026.
Atualmente, o limite de isenção é de R$ 2.824 (até dois salários mínimos). A elevação até R$ 5 mil foi uma promessa de campanha de Lula em 2022.
Ainda assim, o anúncio junto ao pacote de corte de gastos incomodou a cúpula da Câmara e agitou o mercado – o que levou o dólar ao maior valor nominal da história do real.