Hillary Clinton acusa Trump de orquestrar acobertamento no caso Epstein
A ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton participa de evento em Berlim - Adam Berry - 16.fev.2026/AFP
Hillary Clinton, ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama dos Estados Unidos, acusou o presidente Donald Trump de orquestrar um acobertamento em relação aos arquivos do criminoso sexual Jeffrey Epstein. A fala ocorreu durante entrevista à BBC publicada na segunda-feira (16).
“Divulguem os arquivos. Eles estão deliberadamente atrasando a divulgação”, disse Hillary, que deve depor perante uma comissão do Congresso sobre o assunto, em entrevista à emissora britânica em Berlim.
O Departamento de Justiça divulgou o último lote dos arquivos do caso Epstein no mês passado. São mais de três milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados à investigação do ex-financista americano condenado em 2008 por aliciar menores de idade para fins sexuais e encontrado morto na prisão em 2019, enquanto aguardava um novo julgamento.
Assim como outros políticos e celebridades, o marido de Hillary, o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), aparece frequentemente nos documentos, embora nenhuma evidência os implique em atividades criminosas até agora.
Mesmo assim, os laços de Epstein com pessoas ricas e poderosas ao redor do mundo fizeram muitas delas renunciarem a seus cargos. O mais recente deles é o americano Thomas Pritzker, presidente executivo da rede de hotéis Hyatt e primo do governador de Illinois, o democrata J.B. Pritzker, um potencial candidato à indicação presidencial do em 2028.
Recentemente, a imprensa americana noticiou uma troca de emails de 2018 na qual Epstein pediu ajuda a Pritzker para conseguir reservas para uma mulher que viajaria pela Ásia. A mulher disse ao agora ex-presidente da rede de hotéis que “tentaria encontrar uma nova namorada para Jeffrey”, ao que ele respondeu: “Que a força esteja com você”.
“Uma boa gestão também significa proteger a Hyatt, particularmente no contexto da minha associação com Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, da qual me arrependo profundamente”, afirmou o empresário de 75 anos, em referência ao financista e sua ex-namorada e cúmplice, que cumpre pena de 20 anos por seu envolvimento no tráfico de meninas. “Demonstrei péssimo julgamento ao manter contato com eles, e não há desculpa para não ter me distanciado antes.”
Os Clinton foram intimados a depor pessoalmente e a portas fechadas perante o Comitê de Supervisão da Câmara, que investiga as ligações de Epstein com figuras poderosas. “Compareceremos, mas acreditamos que seria melhor se fosse público”, disse Hillary à BBC. “Só quero que seja justo”, continuou. “Quero que todos sejam tratados da mesma forma.”
Segundo ela, os republicanos estão tentando desviar o foco de Trump, cujo nome também aparece com frequência nos arquivos. “Vejam só esse alvo fácil. Estão atrás dos Clinton, até mesmo de Hillary Clinton, que nunca conheceu o sujeito”, afirmou.
Trump nega qualquer irregularidade. O ex-presidente Clinton admitiu ter viajado no avião de Epstein no início dos anos 2000 para trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein. A mera menção deles nos arquivos não constitui prova de que tenham cometido um crime.
Hillary Clinton, que perdeu a eleição presidencial de 2016 para Trump, disse que não teve interações significativas com Epstein, nunca viajou em seu avião e nunca visitou sua ilha. Na entrevista à BBC, ela disse ter se encontrado com Ghislaine Maxwell, cúmplice e ex-parceira de Epstein, que foi condenada por conspirar com ele para abusar sexualmente de menores, “em algumas ocasiões”.
Trump negou a jornalistas na noite de segunda que o depoimento do casal no Congresso era uma tentativa de distração. Hillary vai depor em 26 de fevereiro, e Clinton, no dia seguinte.