Homem que matou médica francesa na PB foi ajudado por vítima e iniciou namoro com ela durante a pandemia
À esquerda, francesa morta, e no lado direito o namorado dela, suspeito do crime, e que também foi encontrado morto, na Paraíba — Foto: Polícia Civil
Por g1 PB
O gaúcho Altamiro Rocha dos Santos é apontado pela Polícia Civil como o autor do feminicídio que vitimou a médica aposentada francesa Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, em João Pessoa. Ele era namorado da mulher e foi encontrado morto. Segundo a polícia, o relacionamento entre os dois começou na pandemia.
O corpo de Chantal foi encontrado carbonizado na quarta-feira (11), dentro de uma mala deixada em uma rua do bairro de Manaíra, em João Pessoa. De acordo com a polícia, ela foi morta por Altamiro dentro do apartamento onde morava. Após o crime, Altamiro tirou o corpo da mulher do prédio em uma mala e pediu a um homem em situação de rua para atear fogo.
Quem era Altamiro Rocha dos Santos
Altamiro, natural do Rio Grande do Sul, atuava como artesão e vendia objetos na orla da capital paraibana. De acordo com a polícia, ele não tinha renda fixa e era sustentado financeiramente por Chantal, que recebia aposentadoria do exterior, estimada em R$ 40 mil reais.
A vítima conheceu Altamiro na orla da capital, onde ele vendia artesanato. Durante a pandemia, chegou a abrigá-lo, e os dois iniciaram um relacionamento.
A polícia informou que não conseguiu precisar em que ano Altamiro passou a residir em João Pessoa, nem há quanto tempo ele vivia de forma contínua na cidade. Também não há definição exata sobre quando o relacionamento começou, apenas que teve início durante a pandemia.
De acordo com a investigação, o homem utilizava drogas e a mulher francesa não aceitava isso. A vítima demonstrou que queria terminar a relação por conta dessa situação. E isso teria motivado o crime.
Altamiro foi encontrado morto no dia 12 de março, um dia após o corpo de Chantal ser localizado. O corpo dele estava no bairro João Agripino, com as mãos amarradas e sinais de decapitação.
Segundo a Polícia Civil, ele apresentava uma lesão profunda no pescoço, sem outros ferimentos aparentes. A principal linha de investigação é de que a morte possa ter relação com a atuação de integrantes de uma facção criminosa, que teriam reagido à repercussão do crime e à presença da polícia na região. Até o momento, ninguém foi preso.
Consulado foi acionado
O consulado da França no Brasil já foi acionado pela Polícia Civil da Paraíba para encontrar a família da Chantal. As informações foram confirmadas pela corporação ao g1.
De acordo com o delegado Thiago Cavalcanti, responsável pela investigação do caso, o contato com o consulado já foi feito e o órgão informou para as autoridades que após encontrarem os familiares, é necessário que eles formalizem um advogado para fazer a tratativa do traslado para a França.
“O consulado da França no Brasil foi comunicado. Segundo contato com o consulado, caberá aos familiares da vítima providenciarem um advogado para dar entrada processo especifico”, disse o delegado.
O g1 entrou em contato com o consulado da França no Brasil, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O corpo da médica francesa está no Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), onde passa por exames adicionais e aguarda os familiares para ser liberado.

Homem que ateou fogo no corpo da francesa não foi localizado
A Polícia Civil da Paraíba confirmou ainda no sábado (14) que identificou o homem que ateou fogo na mala onde estava o corpo da francesa. Segundo a investigação, ele ainda não foi localizado, e a polícia segue em tratativas para encontrá-lo.
De acordo com Thiago Cavalcanti , o homem, que vive em situação de rua, vai ser ouvido, mas não deve ser responsabilizado criminalmente, já que não teve participação direta na morte. Conforme a Polícia Civil, ele recebeu uma porção de droga para colocar fogo na mala, a pedido do namorado da vítima.
Além disso, a investigação confirmou uma nova informação pericial. A confirmação de que foi identificado sangue no apartamento onde Chantal morava. A dinâmica do crime ainda está sendo investigada.
Imagens de dois circuitos de segurança mostram Altamiro Rocha dos Santos, responsável por matar a francesa, descendo com o corpo dela em uma mala, no prédio onde moravam, no bairro de Manaíra, em João Pessoa.
Cronologia do caso

De acordo com a Polícia Civil, a mulher saiu pela última vez do apartamento onde ela estava no sábado (7) e o namorado dela chega a sair do local para pegar um galão de álcool. Veja abaixo.
- 07/03 (Sábado) – 17h35 – Vítima saiu do apartamento;
- 07/03 (Sábado) – 18h30 – Vítima retorna para o apartamento, e não sai mais;
- 09/03 (Segunda) – 22h00 – Namorado dela sai com o galão para comprar álcool;
- 09/03 (Segunda) – 22h16min – Namorado retorna com o galão com álcool;
- 10/03 (Terça) – 22h06min – Namorado sai do apartamento com o corpo da vítima dentro de mala;
- 10/03 (Terça) – 22h36min – Namorado deixa o corpo da vítima na calçada;
- 10/03 (Terça) – 23h04min – Namorado retorna ao apartamento com o carrinho que levou a mala;
- 11/03 (Quarta) – 01h50min – Namorado retorna ao local com o galão de álcool e encontra com um morador de rua;
- 11/03 (Quarta) – 01h55min – Homem em situação de rua ateou fogo na vítima.
O delegado Thiago Cavalcanti diz que os elementos da investigação apontam que na terça-feira (10) pela manhã a mulher já estava morta.
