
Um homem chamado Michael Smith, natural da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, se declarou culpado no tribunal após gerar “centenas de milhares de músicas com IA” e usar “programas automatizados para tocar suas músicas bilhões de vezes de forma fraudulenta”, ou seja, criar um circuito para que as plataformas de streaming pagassem royalties por ouvir falsamente suas próprias músicas.
Isso foi relatado pelo Procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, Jay Clayton, em um comunicado de imprensa do Departamento de Justiça dos EUA.
A metodologia de Smith consistia em “imitar a atividade genuína de reprodução de consumidores reais” e, em seguida, “obter fraudulentamente mais de 8 milhões de dólares em royalties” em plataformas de streaming como Amazon Music, Apple Music, Spotify e YouTube Music.
Como explica o Futurismo, os lucros de Smith eram obtidos subtraindo dinheiro de um único “pool” que poderia ter ido para “músicos e compositores cujas músicas eram legitimamente tocadas por consumidores reais.”
“Embora as músicas e os ouvintes fossem falsos, os milhões de dólares que Smith roubou eram reais. Milhões de dólares em royalties que Smith desviou de artistas e detentores de direitos reais e merecedores”, disse Clayton.
Agora, o músico falso enfrenta uma pena máxima de cinco anos de prisão. Sua sentença está marcada para 29 de julho. “O plano descarado de Smith acabou, pois ele foi condenado por um crime federal por fraude assistida por IA”, disse Clayton.
Uma melodia bem conhecida
Esta não é a primeira vez que Smith se envolve nesse tipo de crime: uma investigação da Rolling Stone indica que o homem gerenciava 1040 contas em plataformas de streaming. Em cada um deles, cerca de 636 músicas eram tocadas por dia. Dessa forma, estima-se que ele ganhasse cerca de US$3300 por dia, ou mais de US$1,2 milhão por ano.
A pesquisa indica que, embora boa parte das músicas pertencesse a músicos reais, a maioria foi criada com IA. Após esse episódio, Smith foi preso na Carolina do Norte em setembro de 2024.
O uso crescente da IA em plataformas de streaming é um dos principais problemas enfrentados pela indústria musical atualmente. Não são mais apenas bandas geradas por IA, mas também os próprios artistas precisam confrontar deepfakes de suas vozes em músicas que nunca tocaram ou autorizaram.
Em detalhes, dados da plataforma francesa de streaming Deezer revelam que 97% dos usuários não conseguem diferenciar entre música “real” e música criada com IA, segundo o The Guardian. Além disso, quase 60.000 músicas geradas por IA são adicionadas ao site diariamente.
Por sua vez, a Suno – uma plataforma de IA especializada em criação musical – gera 7 milhões de músicas por dia.
Nesse cenário, o Spotify implementou novas políticas que proíbem o “roubo de identidade” e estabelecem “divulgações comuns sobre IA nos créditos musicais”. Por sua vez, a empresa informou que está investindo fortemente “na detecção, prevenção e eliminação do impacto sobre royalties das reproduções artificiais”.