Imprensa internacional repercute incêndio na COP30 e lembra problemas de estrutura apontados pela ONU

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Incêndio atingiu pavilhões da COP30, em Belém, no Pará - -/AFP

O incêndio que ocorreu na tarde desta quinta-feira (20), na COP30, a conferência da ONU para mudanças climáticas, ganhou destaque na imprensa internacional, que ressalta como o ocorrido pode atrasar as negociações.

Já é quase uma tradição que as COPs atrasem e se estendam além da data final inicialmente pensada —no caso da COP30, sexta (21) está previsto para ser o último dia de evento. Houve também destaque para outros problemas de infraestrutura que ocorreram durante o evento antes do fogo.

“O local da cúpula foi alvo de críticas nesta semana. A chuva torrencial infiltrou-se nos espaços de reunião, pingando sobre os delegados. Houve reclamações sobre escassez de alimentos, e o ar-condicionado teve dificuldades para lidar com o calor intenso e a umidade. Simon Stiell, o chefe de clima da ONU, pediu segurança reforçada depois que manifestantes forçaram entrada no local”, apontou reportagem do jornal americano The New York Times.

Na mesma reportagem, o jornal afirma que em uma carta a André Corrêa do Lago, presidente da COP30, Stiell apontou preocupações de segurança, mau funcionamento do ar-condicionado e água da chuva infiltrando-se nas instalações de iluminação.

BBC News afirmou ter presenciado ambulâncias no local. A reportagem do veículo britânico também afirmou ter conversado com uma pessoa auxiliando no centro médico da COP30 e que teria atendido pessoas afetadas pela inalação de fumaça.

O também britânico The Guardian destacou que o incêndio coloca ainda mais urgência às deliberações enquanto o tempo se esgota para chegar a um acordo.

Reuters também destacou a questão do tempo da conferência se esgotando.

“A cúpula na cidade amazônica estava inicialmente programada para terminar na sexta-feira, mas não cumpriu o prazo autoimposto de quarta-feira para garantir um acordo entre os quase 200 países presentes sobre questões que incluem como aumentar o financiamento climático e abandonar os combustíveis fósseis”, disse.

‘Foi aterrorizante, senti o calor na minha pele’, diz ativista sobre incêndio na COP30

O pavilhão Climate Live: Entertainment + Culture, organização que usa a arte e a cultura para enfrentar os desafios climáticos, foi um dos mais atingidos pelo incêndio desta quinta-feira (20) na zona azul da COP30, em Belém.

“Foi realmente aterrorizante. Eu podia sentir o calor na minha pele”, conta, em nota, Frances Fox, fundadora da Climate Live, movimento de educação climática que participa do pavilhão.

Na semana passada, painéis do espaço tiveram a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, entre outros.

Fox relata que estava sentada no pavilhão, preparando-se para a próxima sessão, quando de repente ouviu gritos de pânico: “Fogo!”.

“Levantei os olhos do meu laptop e vi as chamas irrompendo e se espalhando rapidamente pelo material do qual a zona azul é feita”, diz.

A ativista espera que o incêndio sirva de alerta para os líderes mundiais na COP, que estão decidindo o destino do planeta. “Espero que eles encontrem em seus corações a empatia e ajam em prol daqueles que estão na linha de frente da crise climática, agora que sentiram o medo e o pânico de um incêndio.”

Gabriel Mendes, coordenador brasileiro do movimento, conta que, quando o incêndio começou, ele estava no palco, durante um painel sobre a ausência de políticas públicas em territórios periféricos.

“Foi naquele exato momento, enquanto falávamos sobre negligência estrutural, que o fogo iniciou atrás de nós. Diante das chamas, a energia elétrica caiu repentinamente. Um dos participantes do painel disse algo que agora ressoa ainda mais forte: ‘A falta de energia aqui não é diferente do que acontece todos os dias nas favelas e periferias do Brasil'”, afirma. “Minutos depois, essa afirmação deixou de ser uma metáfora e se tornou uma realidade literal”.

Mendes relata que os debatedores deixaram o palco às pressas, orientando as pessoas e tentando garantir que saíssem em segurança.

“Naquele momento, a COP30 deixou de ser um grande evento internacional e se tornou um reflexo do que muitas comunidades enfrentam diariamente nas periferias: o fogo não escolhe onde começar, simplesmente consome tudo em seu caminho. O pavilhão queimou, mas a força do que construímos não”, opina.

Já o catalão Samuel Rubin, cofundador do Entertainment + Culture Pavillion, disse que “embora o único espaço dedicado à cultura dentro da zona azul possa estar coberto de cinzas, nosso firme compromisso de colocar a cultura no centro da ação climática permanece inabalável”.

Segundo ele, até o momento, nenhum dos textos resultantes da COP30 menciona a importância e o papel da ação climática baseada na cultura. “Ainda temos 24 horas para mudar isso. Precisamos que os negociadores retornem à plenária e incluam a cultura no texto final antes do encerramento da sessão.”

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