Indicado para CGU já ocultou ter trabalhado para deputado do PT

0
image (46)

Lula e o futuro ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Carvalho. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Por Paulo Moura

Anunciado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comandar a Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho já ocultou ter trabalhado para um deputado petista no currículo submetido ao Senado no processo no qual foi aprovado para presidir o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O fato ocorreu há uma década, quando Carvalho foi indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT) para o cargo de presidente da autarquia federal. O agora indicado para a CGU acabou aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para chefiar o Cade e ocupou o cargo de 2012 até 2016.

No entanto, durante o processo, Carvalho ocultou no currículo enviado ao Senado que trabalhou com o então deputado estadual Simão Pedro (PT), que teve mandatos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) entre 2003 e 2015, e que voltou a se eleger neste ano. O futuro CGU foi chefe de gabinete de Simão entre 2003 e 2004.

De acordo com uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo na época, o vínculo de Carvalho com Simão teria sido omitido não só no histórico enviado ao Senado em 2012, mas em todos os currículos oficiais apresentados por ele desde 2008, quando passou a ocupar cargos no conselho. Ao jornal, ele classificou o fato como “um lapso”.

Naquela época, Simão Pedro era responsável por representações que apontavam suspeitas de formação de cartel, superfaturamento e pagamento de propina envolvendo contratos do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Ironicamente, o Cade fechou em maio de 2013 um acordo de leniência com a Siemens, empresa alemã que foi detentora de uma série de contratos com o governo paulista, no qual a companhia confessou a existência do cartel e disse que ele atuou nas gestões do PSDB em São Paulo, entre os anos de 1998 e 2008.

Quando o conteúdo do acordo veio à tona, em julho de 2013, integrantes do governo de Geraldo Alckmin, hoje vice de Lula, mas na época governador de São Paulo e ainda integrante do PSDB, acusaram o órgão federal de vazar informações de forma seletiva motivado por questões políticas.

O petista Simão Pedro, no entanto, se defendeu dizendo que se tratava de uma coincidência o fato de o caso Siemens, denunciado inicialmente por seu gabinete, emergir no Cade justamente após seu antigo assessor ter assumido o cargo de presidente do órgão.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...