Indústria naval é exemplo de destruição que ocorreu no país, diz Lula em Rio Grande

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de assinatura do contrato de navios da Transpetro pelo Programa de Renovação da Frota Naval do Sistema Petrobras - Ricardo Stuckert/Divulgação Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou na segunda-feira (24) um contrato para a construção de quatro navios em Rio Grande (a 320 km de Porto Alegre), reativando a expectativa de retomada do polo naval do sul do Rio Grande do Sul.

“Eu vim aqui porque para mim é simbólico. Estive aqui em 2006, 2008, 2010 e 2017, quando eu não era mais presidente, para discutir a quantidade de desemprego que causaram nesta cidade”, disse o petista.

Lula prometeu retomar compras na indústria naval brasileira, interrompidas após a Operação Lava Jato. A Transpetro lançou o programa TP25 para renovar a frota com até 25 navios.

“Se algum de vocês já alugou uma casa ou já comprou uma casa e teve que reformar, aprendeu que fazer uma coisa nova é melhor do que reformar uma coisa velha. E nós pegamos esse país semidestruído. E um exemplo dessa destruição foi a indústria naval”, disse o presidente.

Lula disse que também tentaram destruir a Petrobras, tornando a empresa um símbolo de corrupção. “Vocês que estão de jaleco laranja, muitas vezes tiveram problema de andar com esse jaleco na rua.”

O Estaleiro Rio Grande, operado pela Ecovix, será responsável pela maior parte do projeto.

O estaleiro foi o único interessado a apresentar proposta na primeira licitação da Transpetro, subsidiária da Petrobras, feita no terceiro mandato do petista para compra de navios no Brasil.

A construção dos quatro navios depende de juros baixos do FMM (Fundo da Marinha Mercante) e renúncia fiscal para depreciação acelerada dos ativos.

“Este país tem 8.000 quilômetros de costa marítima. Esse país jamais poderia ter presidido de uma indústria de cabotagem”, disse o presidente Lula em Rio Grande.

O projeto deve gerar cerca de 1.000 empregos diretos no estaleiro, elevando o número de trabalhadores de 200 para até 1.400.

A expectativa é de que os trabalhos comecem em seis meses, e o projeto tem três anos e meio de duração.

O presidente também disse ser contra o combustível fóssil, mas afirmou que ele é importante para financiar a transição energética. “É com o dinheiro do petróleo que a gente vai conseguir fazer o biocombustível, o etanol, e que a gente vai fazer o hidrogênio verde e outras coisas mais.”

“Desde 2016 nós paramos a construção dos cascos. E passamos oito anos em uma situação bastante difícil, como todo mundo sabe”, diz José Antunes Sobrinho, acionista da Ecovix.

Segundo o executivo, a mão de obra desenvolvida nos anos de maior atividade do polo naval flutuou, pela falta de atividades de maior peso nos últimos anos. Com esse retorno, a expectativa é de uma retomada gradual dos postos de trabalho.

“Potencialmente, em Rio Grande nós temos cerca de 5.000 empregos sem estressar. Boa parte daqui ou relacionada com a região.”

De acordo com o executivo, nesse período em que os trabalhos principais foram interrompidos, o estaleiro fez reparos navais, desmantelamentos e pequenos trabalhos.

“O maior ativo que temos investido aqui da América Latina em estaleiros, mas infelizmente, motivos que não cabe discutir agora levaram a uma série de decisões tomadas lá atrás”, complementa Antunes Sobrinho, em referência à Lava Jato.

O investimento total previsto no contrato assinado por Lula é de US$ 278 milhões (R$ 1,6 bilhão), com a produção em parceria com o estaleiro Mac Laren, que realizará o acabamento dos navios em Niterói (RJ).

Antunes estima que cerca de 95% do trabalho será executado na cidade do Rio Grande do Sul.

Autoridades da cidade de Rio Grande destaca a importância da reativação da indústria naval para a economia e desenvolvimento da região.

Segundo a prefeita Darlene Pereira (PT), o município vai trabalhar a requalificação dos trabalhadores, para que os empregos sejam ocupados pelos moradores de Rio Grande.

A construção dos navios Handy faz parte do programa de renovação e ampliação da frota da Transpetro, estratégica para a logística de cabotagem.

A volta da construção de navios deve gerar impactos indiretos na economia local, beneficiando setores como alimentação, segurança e comércio.

O anúncio feito por Lula ocorre em um momento sensível para o presidente, que vê uma queda de popularidade. Segundo pesquisa Datafolha, a aprovação do presidente desabou para 24% e é a pior de todos os seus mandatos.

Em Rio Grande, Lula criticou previsões pessimistas a respeito da desaceleração da economia em 2025. “A economia não vai crescer? Deixa a bola rolar. O ano passado ia crescer 1,5%. Vai crescer 3,8%. E pode se preparar que vai crescer mais agora”, disse.

Na semana passada, esteve em Angra dos Reis (RJ) para anunciar a segunda licitação de navios da Petrobras em seu terceiro mandato.

As agendas de Angra e Rio Grande são patrocinadas pela Petrobras, liderada por Magda Chambriard, nomeada para agilizar entregas antes da campanha de 2026.

A executiva afirmou que a Petrobras acelerará encomendas para impulsionar a economia, retomando a agenda dos governos do PT interrompida pela Lava Jato.

“O que nós estamos fazendo é colocando no mercado 35% mais dinheiro que vimos fazendo antes e é muito importante que os fornecedores locais estejam preparados para enfrentar esse desafio”, disse a presidente da petroleira.

“Estamos pisando no acelerador e vamos precisar de vocês. Eu preciso que identifiquem mão de obra qualificada e que complementem essa qualificação.”

 

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