‘Internet não é lugar para crianças’, diz Felca em entrevista a Serginho Groisman

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Felca participa do programa Altas Horas - Reprodução/Globo

Convidado do programa “Altas Horas”, na Globo, no sábado (16), o influenciador Felca contou a Serginho Groisman estar impressionado com a repercussão de suas recentes denúncias contra perfis que exibiam menores de idade com pouca roupa e dançando músicas sensuais em plataformas digitais.

Felipe Bressanim, nome de batismo do criador de conteúdo, já tinha cerca de 8,8 milhões de seguidores no Instagram, mas ganhou outros nove milhões em apenas nove dias após a publicação do vídeo. “Não é sobre mim, é sobre a causa. Isso gerou um movimento tão grande que ainda está difícil de acreditar. Mas é um convite para que as pessoas entendam que têm voz”, afirmou. “Existe um poder coletivo. Se você vê algo errado, fale, denuncie. As pessoas ouvem. Ainda existe bondade no mundo”, completou.

Segundo Felca, a iniciativa surgiu da própria indignação. “Eu percebi que havia esse movimento na internet, de crianças produzindo conteúdo, e o público era dividido. Havia outras crianças assistindo, alguns pais, mas também pedófilos consumindo aquele material”, explicou.

Questionado sobre por que o tema só ganhou proporção agora, já que a discussão sobre “adultização” infantil já vinha sendo levantada por outras vozes, ele avaliou: “Sim, era algo público. Acho que faltava uma mobilização maior. Foi uma questão de alcance que aconteceu”.

Felca também defendeu que crianças não devem estar expostas como criadoras de conteúdo on-line. “A internet não é um ambiente para crianças. A exposição vem com críticas, comentários sobre aparência e até assédio. Uma criança não está preparada para lidar com isso. É um espaço para adultos”, finalizou.

Se não sente indignação, não é um ser humano, diz Felca sobre vídeos com exploração de crianças

O youtuber Felca falou sobre a indignação que sentiu ao ver vídeos de exposição e adultização de crianças nas redes sociais. “Se você não sente uma indignação, você não é um ser humano. Eu senti uma indignação, tinha um público e falei”, afirmou, durante entrevista exibida no programa Altas Horas no sábado (16).

Um vídeo de Felca que viralizou na última semana trazia denúncias de casos de exploração sexual de crianças e adolescentes. Segundo ele, pais e outros adultos lucram com o material.

Em alguns deles, as crianças aparecem em contextos sexualizados ou frequentando ambientes com adultos, como baladas, o que é chamado de adultização. Um dos casos citados é o de Hytalo Santos, influenciador que foi preso, na sexta-feira (15), em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A defesa dele negou as acusações.

Segundo Felca, o pesquisa e produção do vídeo levou cerca de um ano. “É um tema tão aversivo que se você não tem sangue de barata —e eu não tenho— você não consegue ficar nisso por 30 minutos ao dia. Eu ficava vendo aqueles materiais e ficava com tanta agonia, amargor que, pela minha saúde mental…’vou fechar o notebook e voltar amanhã'”, disse.

O youtuber disse ainda que parte dos conteúdos de adultização podem parecer inocentes sem o contexto.

“Mas existiam pedófilos cantando aquelas crianças. E você vai vendo aquele movimento, vai vendo pessoas que produzem conteúdo com suas crianças, pessoas que adultizam propositalmente a criança.”

Felca afirmou ainda que internet não é um lugar para crianças e que elas não devem produzir conteúdo para publicação em redes sociais. “A criança não está preparada. Internet é um ambiente para adultos.”

Também opinou sobre consumo de conteúdo por crianças, que, para ele, deveria ser supervisionado ou até mesmo proibido. “É fácil sair de uma animação para um conteúdo não apropriado.”

Ele também incentivou que as pessoas reúnam provas e façam denúncias para proteger as crianças em redes sociais. “Eu acho que a melhor iniciativa é do indivíduo, de denunciar, de procurar, reunir provas e denunciar. Denunciar e se tudo der certo, conseguimos uma mudança no algoritmo para que esses conteúdos não sejam nem capazes de chegar no seu feed.”

O youtuber ainda afirmou que já recebeu algumas ameaças, críticas e que é alvo de movimentos de difamação. Ele disse que isso já era esperado. “Causou um movimento tão gigantesco que agora está sendo meio nebuloso, está sendo meio difícil de cair a ficha”, disse.

Felca afirmou ainda que a repercussão do caso é “um convite para as pessoas que estão assistindo entenderem que vocês têm voz. Existe um poder nas pessoas. Você ver algo que está errado e falar, denunciar. As pessoas ouvem”.

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