Investigado por estupros, empresário Rodrigo Carvalheira é solto com tornozeleira eletrônica
Empresário Rodrigo Carvalheira em foto de arquivo — Foto: Reprodução/Instagram
O empresário Rodrigo Dib Carvalheira, investigado por estupros, foi solto na quarta-feira (17). Ele estava preso no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, desde o dia 11 passado, após ter prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele deixou a penitenciária de carro, por volta das 17h40 da quarta-feira (17).
De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização, Rodrigo Carvalheira deixa o Cotel após receber um alvará de soltura condicionado a monitoramento eletrônico, ou seja, com uso de tornozeleira eletrônica. A liberdade provisória foi concedida pelo juiz que recebeu a denúncia.
Na segunda-feira passada (15), a Polícia Civil indiciou o empresário após a conclusão de três inquéritos. O processo corre em segredo de Justiça, mas, no mandado de prisão, ao qual a TV Globo teve acesso, consta que ele é investigado pelo crime de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal.
Os procedimentos foram encaminhados ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e, nesta quarta-feira, o MPPE informou que ofereceu denúncia à Justiça em um dos inquéritos. Os outros dois estão sendo analisados por promotores de Justiça. O MPPE pode decidir apresentar denúncia à Justiça ou pedir novas diligências à Polícia Civil.
Caso o MPPE decida denunciar Carvalheira, o caso segue para o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que, por sua vez, deve decidir se aceita a denúncia, tornando o empresário réu, ou se arquiva o processo.
A advogada de Carvalheira, Graciele Queiroz, informou que o alvará de soltura foi concedido na tarde de quarta-feira (17).
“O alvará de soltura foi de fato deferido pelo juiz porque o inquérito policial foi finalizado e o juiz entendeu que ele não oferece nenhum tipo de perigo. Lembrando que a prisão dele só foi decretada porque, supostamente, ele estava dificultando a investigação. […] A prisão dele se deu pela obstrução das investigações. Ponto. Não por supostamente ele ter abusado alguém”, disse Graciele Queiroz.
O portal entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para obter outras informações sobre a soltura, mas o órgão informou que não poderia repassar informações porque “os processos e procedimentos que tratam de crimes contra a dignidade sexual correm em segredo de Justiça, com o objetivo de preservar a intimidade da vítima”.
O indiciado, que tem 34 anos, faz parte de uma família tradicional de Pernambuco, já foi secretário de Turismo de São José da Coroa Grande, no Litoral Sul, e presidiu a executiva estadual do antigo PTB.
Entenda o caso
O caso veio a público a partir da denúncia de três mulheres, que denunciaram Rodrigo Carvalheira por abusos que aconteceram entre 2009 e 2019. Na quarta-feira (17), mais duas mulheres prestaram queixa contra o empresário por crimes sexuais.
Duas das três primeiras denunciantes concederam entrevista à TV Globo e, por meio do boletim de ocorrência, a equipe de reportagem também obteve informações sobre a terceira, que era menor de idade na época dos supostos abusos.
Todas as mulheres eram amigas do indiciado e relataram que, em festas, o suspeito deu comprimidos para elas, que acordaram na manhã seguinte, com sinais de abuso sexual.
A TV Globo conversou com duas das três mulheres que prestaram queixa contra o empresário. Elas pediram para não serem identificadas.
O primeiro caso aconteceu em 2009, mas foi denunciado no fim de 2023. A mulher contou que:
- Estava com amigos numa boate no Recife quando foi abordada por Rodrigo, que perguntou se “queria ficar mais alegre para curtir a festa”. Na época, a mulher tinha 18 anos;
- A jovem disse que, depois de tomar um comprimido dado por Carvalheira, começou a passar mal e o empresário se ofereceu para deixá-la em casa;
- Ela falou ainda que tem poucas lembranças do que aconteceu durante a carona e só entendeu o que tinha sucedido quando acordou, no dia seguinte: “Acordei numa cama e tinha muito sangue”.
Outra denunciante também procurou a polícia em 2023 para denunciar um abuso ocorrido em 2019, quando tinha 31 anos:
- De acordo com ela, Rodrigo foi buscá-la para ir a uma festa no carnaval daquele ano;
- Ele subiu no apartamento e, segundo a mulher, já estava com um copo na mão e empurrou um comprimido em sua boca, dizendo ser ecstasy;
- A mulher contou que, depois disso, “apagou completamente” e acordou, na manhã seguinte, com o empresário em cima dela na cama. Ela relata que encontrou manchas de sangue pela casa.
O terceiro caso aconteceu em 2011 e a mulher tinha entre 16 e 17 anos na época:
- Em depoimento, ela disse que estava deixando uma festa no Recife quando o empresário ofereceu uma carona e ela aceitou, pois o “conhecia e confiava nele”. No entanto, ele desviou o caminho e a levou até um motel;
- No boletim de ocorrência, a vítima contou que Rodrigo insistiu para que ela entrasse e, dentro do quarto, a forçou a tirar a roupa e a fazer sexo;
- Ela ainda relatou à polícia também que o empresário tinha prazer em vê-la resistindo.