Irmã de Marielle sobre Menezes: ‘Deixe a mulher negra trabalhar’

0
image (3)

Anielle Franco. Foto: Reprodução

Por Leiliane Lopes

A jornalista Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco, chamou de “racismo” as matérias recentes da imprensa sobre dívidas da futura ministra da Cultura Margareth Menezes com os cofres públicos. De acordo com a comunicadora, trata-se de uma tentativa de taxar a gestora escolhida pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “incompetente”.

– Desde o anúncio de Margareth Menezes como futura ministra da Cultura, tenho acompanhado os ataques direcionados a ela por parte da imprensa. Margareth foi a única mulher anunciada no primeiro escalão do futuro governo Lula, junto com ela, outros homens foram anunciados. Nos dias que seguiram, foram diversas reportagens falando de Margareth Menezes, narrando situações absolutamente comuns e triviais da política, como negociações por secretarias, como um motivo de preocupação para a futura gestão do Ministério – escreveu Anielle em artigo de opinião ao UOL.

A ativista afirma não ter visto o mesmo “tratamento” em relação aos homens escolhidos por Lula.

– Quanto a isso, tenho apenas um apelo a fazer: deixem Margareth trabalhar. Respeitem sua história e a história de pessoas que chegam a lugares que vocês não conseguiram chegar. Não julguem nossa capacidade pela cor de nossa pele, afinal, quem historicamente tem se mostrado incompetentes para cuidar do nosso país, são os homens brancos – prosseguiu a ativista.

Ela ainda questionou até quando mulheres negras seguirão tendo que “provar” suas capacidades intelectuais.

– Eu acredito em mulheres negras, na capacidade e preparo para essas mulheres governarem nosso país. Eu sei o que podemos e temos condições de fazer. Eu sei o quanto nos viramos em mil para darmos conta de termos tudo que almejamos. Somos muito maiores do que vocês que perdem tempo inventando fake news e nos contestando. Enquanto vocês fazem isso, nós estamos chegando a ministérios, vice-presidências e cargos de chefia. Aceitem. Seu racismo não irá nos paralisar! – finalizou Anielle.

DÍVIDAS E PROCESSOS
Na última semana, a Revista Veja publicou que a futura ministra acumula R$ 1,4 milhão em dívidas com os cofres públicos, sendo R$ 338 mil referentes a irregularidades de um convênio firmado entre a própria pasta da Cultura que comandará.

Os débitos diriam respeito a irregularidades em um convênio firmado entre o ministério e uma ONG fundada por ela, a Associação Fábrica Cultural. Em nota, a assessoria da cantora diz que não sofreu condenação pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e nunca foi parte em processo.

Entre os credores também estariam a Receita Federal e a Previdência em razão de impostos que não foram pagos e apropriação ilegal do INSS de funcionários. A cantora, por sua vez, alega possuir cotas em empresas que, “como qualquer outra pequena empresa no Brasil, passou e passa por momentos de dificuldades”. As dívidas tributárias teriam sido acentuadas durante a pandemia da Covid-19.

Margareth Menezes também minimizou os processos trabalhistas movidos contra ela. Em nota, a cantora disse que as ações são “inexpressivas” se comparadas com sua extensa trajetória na cultura brasileira. Neles, a cantora é acusada de irregularidades como não pagar horas extras, férias ou FGTS. Margareth chegou a ser condenada ou fez acordo com os funcionários em nove dessas ações, segundo informações do portal Metrópoles.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...