Irmão de Bolsonaro troca de cidade e rifa aliado em 8º teste nas urnas; entenda

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Ex-presidente Jair Bolsonaro e seu irmão, Renato Bolsonaro, durante evento em Brasília - Reprodução-16.abr.2020/Facebook Renato Bolsonaro

São Paulo – Em 1994, Tenente Bolsonaro fez sua estreia nas urnas ao se candidatar a deputado federal por São Paulo, mas não conseguiu atingir nem 8 mil votos e ficou como suplente. Trinta anos depois, ele chega à sua 8ª tentativa de se eleger pela primeira vez, agora alçado pelo sobrenome de um irmão que já presidiu o país.

Renato Bolsonaro é o pré-candidato do PL, mesmo partido de seu irmão, Jair Bolsonaro, à Prefeitura de Registro, no interior paulista. A cidade é conhecida como “capital” do Vale do Ribeira, ao sul do estado, região de preservação ambiental que abrange 22 municípios, incluindo Eldorado, cidade onde nasceu o ex-presidente e onde vive parte da família.

Coordenador regional do PL no Vale do Ribeira, Renato é chefe de gabinete da Prefeitura de Miracatu. Ele concorreu a vereador da cidade em 2008 e se candidatou a prefeito em 2012 e 2016. Antes, já havia disputado outras quatro eleições, e não triunfou em nenhuma.

Em 1994 e 1998, tentou se eleger deputado federal utilizando suas patentes no Exército como nome de urna – tenente e capitão, respectivamente. Em 2000 e 2004, já na reserva, se candidatou a vereador pelo município de Praia Grande, na Baixada Santista, litoral sul do estado, como Renato Bolsonaro. Nas quatro tentativas, ficou como suplente no Legislativo.

O Bolsonaro de Registro

Sem ser eleito, mas com influência entre os políticos da região, Renato viu o seu próprio capital político ser aliado ao sobrenome da família Bolsonaro na hora das montagens das chapas eleitorais. Segundo aliados, partiu de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, a ordem para que ele fosse considerado uma das prioridades da sigla nestas eleições.

Com 59 mil habitantes, Registro é vista como palanque eleitoral mais estratégico para o PL do que Miracatu, que tem 19 mil pessoas. Mas para que Renato se cacifasse como pré-candidato, o partido precisou rifar o projeto de reeleição do prefeito Nilton Hirota, recém-chegado ao PL.

Hirota trocou o PSDB pelo PL em março deste ano porque o antigo partido não pretendia lançá-lo à Prefeitura. A preferência dos tucanos era pelo ex-deputado federal Samuel Moreira, cacique histórico com boas relações com a cúpula nacional.

De acordo com tucanos ouvidos pelo portal Metrópoles, Hirota deixou o PSDB justamente para investir em sua reeleição. Ao ser apresentado no PL, foi tratado como pré-candidato à Prefeitura (imagem abaixo) e teve a ficha de filiação assinada por Valdemar. Renato Bolsonaro, aliado de Hirota, estava presente no ato.

Postagem do PL de Registro sobre filiação do prefeito Nilton Hirota
Postagem do PL de Registro sobre filiação do prefeito Nilton Hirota

A força local do eleitorado bolsonarista é um dos ativos que levou o partido a preferir lançar Renato à Prefeitura da maior cidade da região. O nome foi testado em pesquisas internas e, segundo filiados, foi bem-aceito pelos eleitores.

Hirota foi comunicado da decisão e, em vídeo junto de Renato e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou sua desistência de disputar a reeleição para dar espaço ao irmão de Bolsonaro.

“Na boa política, o bem comum, o melhor para todos, nunca pode estar acima de interesses individuais. O meu compromisso será sempre com o melhor para Registro. Após um diálogo produtivo, inclusive com a participação do presidente Jair Messias Bolsonaro, decidimos que o melhor nome para ser pré-candidato a prefeito nas eleições municipais 2024 é o de Renato Bolsonaro”, divulgou, posteriormente, nas redes sociais.

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