Irmãos resgatados de cárcere estão vivendo separadamente; mãe continua presa, na Paraíba
Três irmãos são resgatados no Alto do Cumbi, em Mamanguape. — Foto: Foto divulgação/PM e Conselho Tutelar
Os três irmãos que foram resgatados de um cárcere privado no Alto do Cumbi, na zona rural de Cuité de Mamanguape, na Paraíba, estão vivendo separadamente. Segundo a Polícia Civil, o jovem de 20 anos está internado no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, em João Pessoa. Já o de 18 anos está sob os cuidados de um tio e o menino de 11 anos está em uma abrigo na cidade Mamanguape, também em tratamento de saúde.
A Secretaria de Saúde do Estado, responsável pelo Juliano Moreira, informou que o jovem de 20 anos está estabilizado e sendo acompanhado pela equipe médica. A reportagem não conseguiu atualizações sobre o estado de saúde dos outros dois irmãos.
As vítimas viviam em cárcere submetido pela própria mãe, que foi presa e, ainda conforme a polícia, continua preventivamente no Centro de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, em João Pessoa. O inquérito policial ainda não foi concluído.
Entenda o caso
Os irmãos foram resgatados no início de fevereiro, depois de denúncias que chegaram ao Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB), Conselho Tutelar e Polícia Civil.
De acordo com a investigação da polícia, um quarto do sítio onde moravam com a mãe foi transformado em uma cela grande. O adolescente de 18 anos ficava acorrentado em uma grade nesta parte da casa. Os outros eram amarrados em camas.
O delegado Sylvio Rabello informou que o local onde as vítimas foram encontradas era precário e suja. Filhos da mulher foram encontradas nus e semi-nus. Além disso, ela teria mantido um dos filhos acorrentado e outros dois amarrados para evitar que eles fugissem — já que supostamente sofriam de problemas psiquiátricos.

A mulher tem um total de 7 filhos. Fora uma filha casada, os outros seis moravam todos nesta mesma casa.
Os três filhos que não eram submetidos ao cárcere estão sob os cuidados dos familiares, ainda segundo a Polícia Civil.
Uma tia das vítimas disse que a mãe dos jovens também sofre com transtornos psiquiátricos. Familiares e vizinhos afirmam que a situação era de conhecimento da Secretaria de Saúde do Município e que nunca houve uma assistência adequada das autoridades.
A prefeitura alega que através dos familiares a Secretaria tomou ciência do caso e começaram a tentar contato, mas a assistência não aconteceu por falta de facilitação por parte da mãe — que não deixava ninguém ter acesso a casa.
O caso está sendo acompanhado pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Conselho Tutelar, Secretária de Saúde do Município, Ministério Público do Estado e pela polícia.