Israel diz que corpos entregues pelo Hamas não são de reféns e volta a atacar Faixa de Gaza
Cruz Vermelha transporta corpos de reféns que estavam na Faixa de Gaza desde o ataque de 7 de outubro de 2023 - Ramadan Abed/Reuters
Israel afirmou que os três corpos recebidos do Hamas na sexta-feira (31), por meio da Cruz Vermelha, não pertencem a nenhum dos 11 reféns cujos restos mortais ainda não foram devolvidos pelo grupo terrorista. O anúncio foi feito no sábado (1º), após a conclusão das análises feitas no instituto forense de Abu Kabir, em Tel Aviv.
Em comunicado, a facção afirmou que, diante da incerteza da identidade dos corpos, ofereceu às autoridades israelenses amostras dos três cadáveres para que exames fossem feitos antes da devolução, mas que Tel Aviv recusou e insistiu pela entrega dos restos mortais completos.
Também no sábado, o Exército israelense atacou a Faixa de Gaza com disparos e ataques aéreos nos arredores de Khan Yunis, segundo autoridades locais ouvidas pela agência de notícias AFP. É o terceiro bombardeio desde o cessar-fogo firmado no dia 10 de outubro, em um acordo impulsionado pelos Estados Unidos, sob a acusação de que o Hamas viola a trégua por não entregar os corpos.
O cessar-fogo determina a devolução de todos os reféns, vivos e mortos, a Israel em troca da libertação de centenas de prisioneiros palestinos. O Hamas soltou 20 sobreviventes no dia 13 de outubro, mas atrasou a entrega de corpos e irritou Tel Aviv, pressionada também por familiares que exigem medidas mais enérgicas para forçar o grupo terrorista a cumprir o acordo.
Até agora, a facção devolveu os restos mortais de 17 dos 28 mortos sob a justificativa de que há dificuldade para localizar corpos entre os escombros de Gaza —de acordo com a Cruz Vermelha, há a possibilidade de alguns corpos nunca serem encontrados. Segundo a ONU, 78% de todas as estruturas no território foram destruídas ou danificadas por bombardeios.
Permanecem em Gaza os cadáveres de dez pessoas sequestradas em 7 de outubro de 2023, incluindo dois cidadãos estrangeiros, e o corpo de um soldado morto durante uma guerra em 2014.
Israel já acusou o grupo terrorista de forjar recuperações e conhecer a localização da grande maioria dos corpos restantes dos reféns e protelar propositalmente. Já o Hamas, em declaração deste sábado, disse que está pronto para continuar a trabalhar na “extração dos corpos dos inimigos dentro da linha amarela”, referindo-se às áreas de Gaza sob controle do Exército israelense.
“As Brigadas Al-Qassam exigem que os intermediários e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha forneçam e preparem equipamentos e equipes necessários para recuperar todos os corpos simultaneamente”, disse o grupo terrorista em referência ao seu braço armado.
Não há previsão de quando o Hamas devolverá os 11 cadáveres restantes ou a quantos deles o grupo tem acesso. Na quinta-feira (30), a facção devolveu os restos mortais de Amiram Cooper, 84, e Sahar Baruch, 25, marcando a primeira vez em mais de uma semana que entregou corpos de reféns.
Enquanto isso, em Gaza, a situação humanitária e de segurança continua alarmante. “Ontem à noite ouvi disparos das forças de ocupação várias vezes. Não temos comida nem água para beber ou para nos lavar. A situação é crítica. O cessar-fogo começou, mas a guerra não acabou”, disse à AFP Hisham al-Bardai, um pai de 37 anos.
O acordo de cessar-fogo prevê a mobilização de uma força internacional composta principalmente por países árabes e muçulmanos para supervisionar a segurança durante a retirada do Exército israelense. Esse órgão também teria a missão de treinar e apoiar policiais palestinos com a assistência do Egito e da Jordânia, além de garantir a segurança das áreas de fronteira e impedir o contrabando de armas para o Hamas.
No sábado, o Comando Militar dos EUA para o Oriente Médio (Centcom, na sigla em inlgês) anunciou que o Centro de Coordenação Militar-Civil, responsável por monitorar o cessar-fogo e preparar a transição em Gaza, “observou suspeitos de serem agentes do Hamas saqueando um caminhão de ajuda humanitária” que fazia parte de um comboio humanitário com destino ao norte de Khan Yunis.
Com AFP e Reuters