Janja não entra na avenida, fica com Lula em camarote e é substituída por Fafá de Belém
O presidente Lula com a primeira-dama Janja e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, na primeira noite do desfile do grupo Especial na Sapucaí, no Rio de Janeiro - Dilson Silva/AgNews
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, não entrou na avenida para desfilar no domingo (15). Ela se apresentaria no Sambódromo do Rio no último carro da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que homenageia Lula (PT).
Janja foi substituída pela cantora Fafá de Belém. No mesmo carro estavam ainda artistas como Paulo Betti, Bete Mendes, Chico Diaz e Júlia Lemmertz.
A possibilidade de Janja desfilar em carro alegórico causou controvérsia até mesmo no governo. Ela foi pressionada a desistir já que ministros entendiam que sua participação poderia trazer problemas para Lula na Justiça Eleitoral.
Havia preocupação também quanto ao impacto na opinião pública, especialmente entre o eleitorado evangélico, já resistente ao petista.
Mais cedo no domingo (15), a presença dela na avenida havia sido confirmada pela escola e constava no livro Abre-Alas da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro).
Segundo o material, Janja estaria no carro intitulado “Vale uma nação, vale um grande enredo”, que traz referências à arquitetura de Brasília e tem como destaque uma escultura do presidente.
Janja seria a primeira anfitriã do Palácio da Alvorada a desfilar por uma escola de samba do Rio. Também há uma menção a ela na ala 24, aberta pelo trompetista Fabiano Leitão, com um estandarte com a inscrição “Solte sua Janja!”.
A homenagem da escola vinha sendo questionada por partidos da oposição, que acionaram a Justiça sob o argumento de propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou ações que pediam a suspensão do desfile, mas a ministra Cármen Lúcia alertou que a exposição poderia, em tese, caracterizar promoção pessoal com efeitos eleitorais, o que é vedado pela legislação.
Por coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo