Japão: relevações de influência da Seita Moon no alto escalão do governo provocam debate

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Foto do ex-primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, é vista exposta em sala — Foto: Adriano Machado/REUTERS

Abalado desde a morte do ex-primeiro ministro Shinzo Abe, no início de julho, o governo japonês enfrenta acusações de influência da Seita Moon no alto escalão da administração pública. A ponto de alguns meios de comunicação falarem agora de uma “crise do regime”. O assassino de Shinzo Abe afirmou que o político estava intimamente ligado a esse movimento religioso. Desde a tragédia, várias revelações se sucedem sobre a influência dessa seita nos altos escalões do governo, o que desencadeia um grande debate no país.

Shinzo Abe foi morto a tiros por Tetsuya Yamagami, de 41 anos, cuja família diz ter mergulhado na miséria por causa de doações feitas à Igreja da Unificação, conhecida como Seita Moon. A mãe dele é integrante da instituição religiosa, que está presente no Brasil e em vários países do mundo.

Quase metade dos membros do governo, bem como uma centena de parlamentares do partido no poder, o Partido Liberal Democrata (PLD, direita nacionalista), participaram de eventos organizados pela Seita Moon. Eles também se beneficiaram da ajuda desse movimento religioso durante as campanhas eleitorais: os seguidores da seita colaram cartazes de campanha, distribuíram santinhos e fizeram doações em dinheiro.

Entre os moradores de Tóquio, as opiniões sobre o escândalo se dividem. “É muito preocupante”, disse um homem. “No momento, o que me preocupa é o aumento do número de casos de Covid-19”, completou. Outra japonesa é mais cética. “Este caso parece ter vindo à tona pela imprensa e pela oposição com o único propósito de manchar a memória de Shinzo Abe. Isso me choca”, afirmou.

“Tudo indica que esta seita preconceituosa e maligna conseguiu se infiltrar até o topo do Estado. Não é realmente tranquilizador”, afirma outro homem, para quem “o que precisa ser esclarecido são os fluxos financeiros. Os políticos receberam dinheiro da seita. Eles ficaram ricos e isso influenciou suas decisões? Isso é o principal”, conclui.

Índice de confiança do governo despenca

De acordo com pesquisas recentes, a maioria dos japoneses condena essas conexões entre seus líderes políticos e a seita religiosa, que enfrenta a Justiça: os tribunais compararam algumas de suas práticas de proselitismo à extorsão ou fraude. O índice de confiança do governo também caiu desde que o escândalo estourou.

Oscilando em popularidade, no início de agosto, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, reformou o governo. As mudanças incluíram a troca do ministro da Defesa, em meio à controvérsia sobre os laços de seu partido com a Seita Moon.

O irmão de Shinzo Abe, Nobuo Kishi, substituído no cargo, oficialmente por motivos de saúde, revelou que membros da seita Moon serviram como voluntários em suas campanhas eleitorais.

Ministro da Defesa do Japão, Nobuo Kishi, durante discurso no sábado (7) — Foto: REUTERS TV
Ministro da Defesa do Japão, Nobuo Kishi, durante discurso — Foto: REUTERS TV

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