Joice Hasselmann paga R$ 10 mil à Jovem Pan por chamar emissora de lixo em entrevista

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Joice Hasselmann, que precisou pagar R$ 10 mil à Jovem Pan após perder processo - Ronny Santos - 6.mai.2024/Folhapress

Joice Hasselmann pagou R$ 10 mil de indenização à Jovem Pan após perder um processo por ter chamado a emissora de lixo durante entrevista a um podcast. Em janeiro, a empresa pediu que a sentença fosse cumprida e, na semana passada, a ex-deputada federal e jornalista depositou o valor.

Procuradas desde quinta-feira (5), a Jovem Pan e Joice Hasselmann não responderam aos contatos feitos por telefone e email.

O caso começou com uma entrevista ao podcast Inteligência Ltda, em junho de 2022. Joice teria, segundo a Jovem Pan, “maculado a imagem da empresa” e mentido “ao dizer que o canal marca traço na audiência com os programas de notícias”, segundo os autos do processo.

“Eu trabalhei na Jovem Pan quando ela era Jovem Pan, não esse lixo que virou, puxa-saco de governo, que lambe o pé de Bolsonaro. Eles fizeram isso para conseguir a TV e conseguiram”, afirmou ela, que trabalhou na empresa em 2017 e 2018.

Depois, Joice deu a entender que foi orientada a parar de criticar o então governo Michel Temer (2016-2018), mas ela teria se recusado. “Amansar para mim é pior do que me demitir. Eu falei: ‘Não, eu não vou fazer isso, tenho contrato de liberdade'”, disse a jornalista.

A TV de Antônio Augusto do Amaral Carvalho Filho, o Tutinha, entrou com uma ação na Justiça de São Paulo contra Joice. Para mostrar que tem bons números de audiência, foram anexadas reportagens sobre o assunto, que diziam que a Jovem Pan só perdia para a GloboNews entre os canais de notícias da TV por assinatura.

Além disso, a emissora rebateu supostos afagos ao governo para conseguir a aprovação de sua concessão. “A criação de uma televisão fechada independe de qualquer relação com o governo. Portanto, a ré fez uma imputação falsa, irresponsável e até ignorante”, disse a emissora no processo.

Em resposta, Joice e sua equipe de advogados anexaram reportagens que falavam de atrações com baixa audiência na Jovem Pan em 2022. A ex-deputada também questionou o argumento de que a empresa se sentiu ofendida.

“Se a requerente [Jovem Pan] ficou tão ofendida com as falas proferidas pela requerida [Joice], deveria ter ajuizado ação de danos morais contra todas as páginas que veicularam informações sobre a ligação da rádio com o governo federal na gestão de Bolsonaro”, disse sua defesa.

Joice venceu em primeira instância, mas a Jovem Pan conseguiu uma decisão favorável em segunda instância. Em uma decisão monocrática, em abril, o ministro Herman Benjamin manteve a condenação a favor da Jovem Pan.

A defesa de Joice pediu que o caso fosse para o plenário da corte em novo recurso. Em setembro do ano passado, a 4ª Turma do STJ julgou e negou, por unanimidade, o pedido para que a condenação caísse. O ministro Raul Araújo foi o relator e os colegas seguiram seu voto.

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