Justiça dos EUA condena outro ex-diretor da Theranos por fraude em testes de sangue
Ramesh Balwani, ex-executivo da Theranos condenado por fraude, em 7 de julho de 2022 — Foto: Brittany Hosea-Small/Reuters
A Justiça dos Estados Unidos condenou nesta quinta-feira (7) o ex-executivo Ramesh Balwani, da empresa Theranos, por ter sido cúmplice da ex-diretora-executiva Elizabeth Holmes em uma fraude que envolvia a empresa de testes de sangue.
Balwani é conhecido pelo apelido Sunny. Ele e Holmes tiveram um relacionamento amoroso, além de serem colegas de trabalho. Os dois podem pegar até 20 anos de prisão.
Sunny foi considerado culpado de 12 acusações por ter enganado tanto os investidores que colocaram dinheiro na Theranos como os pacientes que confiaram nos exames inseguros da empresa.
Holmes já foi condenada no começo deste ano. Durante o julgamento, ela afirmou que Sunny era um homem abusivo sexualmente e emocionalmente quando os dois tinham uma relação. O advogado dele nega.
Holmes enfrentou as mesmas acusações e foi condenada por três acusações de fraude e uma acusação de conspiração em um julgamento separado, em janeiro.
Balwani e Holmes foram acusados em 2018 de mentir aos investidores sobre as finanças da empresa e a capacidade de suas máquinas de executar testes com poucas gotas de sangue (os promotores acusaram a dupla de enganar os pacientes sobre a precisão dos testes).
Os investidores da Theranos foram atraídos por Holmes. Ela ficou famosa por prometer que iria revolucionar o mercado de testes de laboratório criando máquinas portáteis que poderiam executar uma ampla gama de testes.
Ela se apresentava usando uma malha de gola preta alta, emulando o fundador da Apple, Steve Jobs.
A empresa divulgou o trabalho com fabricantes de medicamentos, farmácias e militares dos EUA e recebeu investimentos do conhecido empresário de mídia Rupert Murdoch.
A Theranos entrou em colapso depois que o “Wall Street Journal” publicou uma série de artigos, começando em 2015, revelando que seus dispositivos eram falhos e imprecisos.
No julgamento, Holmes tomou a decisão um tanto incomum de testemunhar em sua própria defesa e negou ter mentido aos investidores.
Ela está programada para ser sentenciada em 26 de setembro. Ela argumentou que as provas eram insuficientes para apoiar o veredicto.