Kremlin rejeita acusações de países europeus de que Navalni foi envenenado
Líder opositor Alexei Navalny em discurso em Moscou. Ele estava preso desde o início de 2021. Foto: Reuters
O Kremlin classificou, na segunda-feira (16), de “infundadas” as acusações de cinco países europeus de que o opositor Alexei Navalni morreu por envenenamento por uma “toxina rara” enquanto estava em uma prisão russa, exatamente dois anos atrás.
O ativista anticorrupção, que se opôs firmemente ao presidente russo Vladimir Putin e à ofensiva contra a Ucrânia lançada em 2022, morreu na prisão em 16 de fevereiro de 2024, aos 47 anos.
Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Holanda acusaram Moscou no sábado (14) de tê-lo “envenenado”, citando as conclusões de uma investigação.
“Naturalmente, não aceitamos tais acusações. Não concordamos com elas. Nós as consideramos tendenciosas e infundadas”, disse a jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, durante uma entrevista coletiva.
Nesta segunda-feira (16), a mãe do opositor exigiu justiça para o filho, ao falar perto de seu túmulo, onde dezenas de pessoas se reuniram, apesar dos riscos, para homenagear Navalni por ocasião do segundo aniversário de sua morte.
“Isso confirma o que já sabíamos desde o início. Sabíamos que nosso filho não morreu na prisão simplesmente, foi assassinado”, declarou a mãe, Liudmila Navalnaia, no cemitério Borisovsky, em Moscou.
“Acho que vai levar algum tempo, mas descobriremos quem fez isso. Claro, queremos que isso ocorra em nosso país e que a justiça prevaleça”, disse a jornalistas.
Na segunda-feira (16), o túmulo do opositor estava coberto de flores, e uma cerimônia religiosa foi celebrada. Alguns dos que foram prestar homenagem cobriram o rosto com máscaras cirúrgicas.
Na Rússia, as autoridades proibiram as organizações criadas por Navalni, acusando-as de “extremismo” e “terrorismo”, e qualquer apoio público ao seu movimento é passível de perseguição judicial.
TOXINA DE RÃ
Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Holanda divulgaram, no sábado (14), os resultados de uma investigação realizada graças a amostras do corpo de Navalni retiradas clandestinamente da Rússia.
Essa investigação concluiu que Navalni foi “envenenado” com uma “toxina rara” presente na pele das rãs-dardo do Equador, a epibatidina, segundo uma declaração conjunta publicada à margem da Conferência de Segurança de Munique.
“Apenas o Estado russo tinha os meios, um motivo e a oportunidade de utilizar essa toxina letal”, afirmaram os autores da declaração, que responsabilizam Moscou “por sua morte” durante seu encarceramento em uma prisão na Sibéria.
Sua viúva, Iulia Navalnaia, disse no sábado (14) que “o assassinato” do marido agora está “comprovado pela ciência”.
Moscou sempre rejeitou essas acusações, sem fornecer uma explicação completa para sua morte, indicando apenas que ele sucumbiu de forma repentina após um passeio em sua colônia penitenciária.
Vladimir Putin, que pronunciou o nome de seu opositor pela primeira vez só após sua morte, havia mencionado anteriormente um “acontecimento triste”, acrescentando que “houve outros casos em que pessoas faleceram sob custódia”.
Após a morte de Navalni, as autoridades se recusaram por vários dias a entregar seu corpo aos familiares, o que despertou suspeitas entre seus apoiadores.