Kurt Cobain pode ter sido vítima de homicídio, afirma novo relatório
Kurt Cobain, músico e vocalista do Nirvana morto em 1994, aos 27 anos, em cena do documentário 'Kurt Cobain: Montage of Heck', do diretor Brett Margen - Reprodução
Pesquisas de um grupo de cientistas forenses apontam que o músico Kurt Cobain, morto em 1994, aos 27 anos, pode ter sido vítima de homicídio. Na época, as investigações concluíram que o vocalista do Nirvana havia cometido suicídio via ferimento provocado por uma arma de fogo, mas um relatório publicado no International Journal of Forensic Science diz que a autópsia e demais registros trazem inconsistências.
O documento reúne fatores médicos e circunstanciais que seriam incompatíveis com a hipótese de que a morte teria sido autoinfligida e provocada por disparo de espingarda. O documento diz, por exemplo, que as mangas de Cobain estavam arregaçadas e que o seu kit de heroína estava a poucos metros do corpo. Os cientistas sugerem que o estado organizado que o kit apresentava seria incompatível com um suicídio.
Em relação à autópsia, que registrou líquido nos pulmões, hemorragia nos olhos e danos no fígado e no cérebro de Cobain, o relatório diz que essas constatações se distanciam de uma morte rápida, provocada por arma de fogo, mas dialogam com casos de overdose, que prejudicam a respiração e o fluxo sanguíneo.
Os pesquisadores também dizem que o sangramento ocular e os danos aos órgãos seriam sintomas de privação de oxigênio que teria sucedido o disparo fatal, além de apontar que, em casos de tiros na cabeça, é comum a presença de sangue nas vias respiratórias, o que não foi constatado pelo laudo original.
Não suficiente, o relatório ainda defende que o tronco encefálico, responsável por controlar a respiração, dificilmente teria sido danificado pelo disparo, já que a posição do braço de Cobain não indicaria a rigidez típica que é possível observar quando essa região do corpo é gravemente comprometida.
O gabinete do médico legista do Condado de King, que determinou o suicídio em 1994, disse estar aberto a revisar as conclusões sobre a morte do músico caso novas evidências substanciais sejam levantadas, mas também afirmou não ter recebido, até então, material que justifique a revisão.