Leo Bezerra rebate João Azevêdo sobre ‘escolhas’ e justifica ausência em encontros do PSB

O vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), rebateu nesta sexta-feira (20) o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB) e explicou sua ausência em reuniões do partido. Azevêdo havia classificado a falta de convite para a participação de Bezerra como “escolhas”. As declarações ocorreram durante a entrega de uma nova unidade do programa educacional Ninho do Saber, no bairro de Gramame, na Capital, em meio à crescente tensão interna da legenda.
“A gente só vai quando é convidado, não existe escolha. Eu estou no PSB e estou sendo convidado, nunca mais fui convidado para nada. Mas isso é página virada. Estou aguardando uma conversa com o presidente do partido, que é o governador João Azevêdo, para decidirmos nosso futuro político”, disse Leo Bezerra.
O episódio ocorre após o vice-prefeito declarar apoio público ao prefeito Cícero Lucena (MDB) na disputa pelo Governo do Estado nas eleições de outubro, decisão que teria gerado descontentamento dentro da legenda.
Divisão interna no PSB
A situação evidencia uma crescente tensão dentro do Partido Socialista Brasileiro (PSB) estadual, com aliados divididos entre apoiar a base governista e candidaturas externas. Além de Leo Bezerra, o deputado estadual Hervázio Bezerra e o vereador Odon Bezerra, líder do prefeito na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), também declararam apoio à pré-candidatura de Cícero Lucena, contrariando a orientação oficial da legenda, que mantém o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) como candidato do partido para a sucessão estadual.
Segundo Leo, apesar de não participar mais das reuniões internas do PSB, seu nome continua sendo citado com frequência nos encontros partidários, reforçando a percepção de conflito entre sua base e a direção do partido.
O cenário ganha ainda mais relevância com a renúncia de Cícero Lucena a partir de 2 de abril, quando Leo Bezerra assumirá a Prefeitura de João Pessoa. A movimentação projeta o vice-prefeito como peça-chave nas articulações políticas e eleitorais da capital, enquanto o PSB busca manter unidade em torno de Lucas Ribeiro para a sucessão estadual.
Analistas políticos avaliam que a situação revela a complexidade das alianças na Paraíba, em que a manutenção da coesão partidária se choca com os interesses locais e regionais de líderes influentes dentro do PSB, elevando a tensão interna da legenda no período pré-eleitoral.