Líder da Artemis 2, Reid Wiseman anuncia uma nova era de ouro no espaço

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O astronauta Reid Wiseman, líder da Artemis 2, em helicóptero que o retirou do mar, onde pousou a cápsula Orion nesta sexta-feira (10) - Bill Ingalls/Nasa

por AFP e Financial Times

O momento mais marcante para o comandante Reid Wiseman, 50, na primeira missão tripulada a sobrevoar a Lua em mais de meio século aconteceu quando seus colegas pediram para batizar uma cratera lunar com o nome de sua falecida esposa, Carroll.

O astronauta Jeremy Hansen, 50, fez o pedido ao controle de missão da Nasa em Houston, nos Estados Unidos, descrevendo como a “família unida de astronautas” da viagem Artemis 2 havia “perdido uma pessoa querida” em Carroll, uma enfermeira pediátrica que morreu de câncer em 2020.

“Acho que quando Jeremy soletrou o nome de Carroll… para mim, foi nesse momento que olhei para o lado e Christina [Koch] estava chorando”, afirmou Wiseman nesta semana, enquanto os quatro tripulantes seguiam rumo à Terra, antes de pousarem conforme programado na costa de San Diego na noite desta sexta-feira (10). “Esse foi o momento mais marcante da missão para mim.”

Ela capturou o espírito da humanidade despertado pela arriscada jornada liderada por Wiseman. A viagem proporcionou aos seguidores na Terra tanto uma distração quanto um contraponto aos eventos mundiais, enquanto a guerra assolava o Oriente Médio.

A tripulação se tornou a primeira a ter uma visão panorâmica do lado oculto da Lua, que nunca é visível da Terra. Eles viajaram mais longe do planeta do que quaisquer astronautas anteriores, superando por pouco o recorde de cerca de 400 mil km estabelecido pela missão Apollo 13 em 1970.

A vida de Wiseman praticamente abrange toda a era entre o último pouso lunar, no final de 1972, e os esforços cada vez mais intensos liderados pelos EUA e pela China para colocar pessoas de volta na Lua até 2030. Nascido em 1975 em Baltimore, Maryland, ele se formou em engenharia de computação e sistemas pelo Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, em 1997.

Ele treinou e serviu como piloto da Marinha dos EUA e foi enviado duas vezes ao Oriente Médio, incluindo durante a guerra do Iraque. Um ano após concluir um certificado em sistemas espaciais em 2008, foi selecionado pela Nasa como astronauta.

A primeira experiência espacial de Wiseman foi como engenheiro de voo em uma missão de 165 dias na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) em 2014. Ele considera seus colegas de tripulação da ISS, o russo Maxim Suraev e o alemão Alexander Gerst, da Agência Espacial Europeia (ESA), dois de seus melhores amigos.

Wiseman demonstrou “muito bom humor, mas ao mesmo tempo uma capacidade de tomada de decisão e habilidades operacionais muito boas”, disse Gerst ao FT. “Você coloca sua vida nas mãos de outros nessas missões.”

Gerst estava usando um colar feito de um pedaço de meteorito cortado no formato de um astronauta. Era 1 dos 3 que ele havia mandado fazer para si mesmo e para seus companheiros de tripulação da Estação Espacial Internacional —ele vinha usando o colar em homenagem a Wiseman desde o lançamento da Artemis 2.

“Normalmente não sou do tipo que usa colar”, afirmou ele. “[Mas] vou usar até ele voltar para casa em segurança.”

A ideia de uma camaradagem cósmica que transcende as divisões políticas terrestres destaca como a exploração espacial precisa de coração, além de tecnologia, para realmente cativar.

A camaradagem entre Wiseman e seus colegas astronautas no frio do espaço se tornou uma marca registrada dos boletins transmitidos de volta à Terra a partir da espaçonave Orion, que a tripulação batizou de Integrity. Eles haviam se conhecido bem como membros do corpo de astronautas da Nasa por mais de dez anos, estreitando ainda mais os laços durante três anos de treinamento intensivo para esta missão.

Os relacionamentos próximos e a história pessoal de Wiseman estão profundamente entrelaçados em sua biografia oficial da Nasa. “Apesar de uma longa lista de conquistas profissionais, Reid considera seu tempo como pai solo seu maior desafio e a fase mais gratificante de sua vida”, diz o texto.

Antes de embarcar na Orion no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Wiseman postou uma selfie no X com suas filhas Katie e Ellie em frente ao gigantesco foguete Space Launch System (SLS). “Eu amo essas duas moças, e estou embarcando naquele foguete como um pai muito orgulhoso”, escreveu.

Assim que a Orion emergiu do lado oculto da Lua, Wiseman e sua tripulação receberam uma ligação do presidente dos EUA, Donald Trump. Wiseman disse a ele: “Vimos coisas que nenhum ser humano jamais havia visto antes, nem mesmo na Apollo”.

Wiseman falou com entusiasmo sobre ter testemunhado um eclipse solar, com a Lua bloqueando o Sol. “Não existe adjetivo. Vou precisar inventar alguns novos para descrever o que estamos vendo por esta janela”, disse ele.

Ele disse a Trump que a experiência o convenceu de que a humanidade se tornaria uma “espécie de dois planetas”, habitando a Terra e Marte —um eco das ambições marcianas do bilionário Elon Musk, da SpaceX. O presidente prometeu que a Nasa as concretizaria, embora muitos vejam Marte como algo irrealista, dada sua distância da Terra e seu ambiente hostil.

Na noite de quinta-feira (9), Wiseman exaltou o “potencial ilimitado” de uma “era de ouro das viagens espaciais”. Logo após a amerrissagem no oceano Pacífico ter ocorrido conforme planejado na sexta-feira, ele exclamou simplesmente: “Que jornada”.

A cratera lunar agora chamada informalmente de Carroll fica próxima à fronteira entre os lados visível e oculto do corpo celeste, o que significa que é visível da Terra em determinados momentos. Como disse Hansen, esse memorial distante que tanto emocionou o líder da missão Wiseman será para sempre um “ponto brilhante na Lua”.

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