Lucro da Tesla cai 71% no primeiro trimestre em meio à participação de Musk no governo Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump, em um Tesla junto com o bilionário Elon musk. — Foto: AP Photos
A Tesla registrou queda de 71% no lucro líquido reportado no primeiro trimestre, à medida que as vendas de seus veículos elétricos despencaram devido a uma linha de produtos fraca, além de uma reação negativa mundial dos consumidores ao envolvimento crescente de Elon Musk na política dos EUA. O lucro líquido ajustado, que exclui algumas despesas do cálculo, caiu 39%.
Musk tem enfrentado pressão dos investidores para explicar sua ausência da Tesla, bem como o dano percebido à marca devido ao seu relacionamento próximo com o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu papel controverso como chefe do chamado Doge (Departamento de Eficiência Governamental).
Suas intervenções políticas também prejudicaram as vendas em grandes mercados europeus neste ano. A Tesla está contando com uma recuperação na demanda por veículos após a recente atualização de seu carro principal, o Model Y. Os investidores também aguardam detalhes sobre um novo veículo acessível que a empresa prometeu.
O lucro líquido reportado do primeiro trimestre caiu 71% em relação ao ano anterior, para US$ 409 milhões (R$ 2,3 bilhões), ficando abaixo das expectativas dos analistas. O ajustado recuou para US$ 934 milhões.
A receita caiu 9%, para US$ 19,3 bilhões (R$ 110,3 bilhões), abaixo da estimativa média dos analistas de US$ 21,4 bilhões (R$ 122,4 bilhões), segundo a S&P Capital IQ.
No início deste mês, a Tesla relatou que suas entregas caíram 13% nos primeiros três meses deste ano, em comparação com o ano anterior, marcando seu pior trimestre desde 2022. A empresa também perdeu sua coroa de maior fabricante mundial de veículos elétricos para a rival chinesa BYD. O preço das ações da Tesla caiu pela metade desde seu pico em meados de dezembro.
O grupo também enfrenta riscos crescentes da guerra comercial de Trump, que alertou que poderia torná-la alvo de tarifas retaliatórias e aumentar o custo de fabricação de veículos na América.
A Tesla monta todos os seus veículos vendidos nos EUA localmente, mas ainda está exposta às amplas tarifas e interrupções na cadeia global de suprimentos automotivos, já que obtém componentes de outros mercados.
“Embora o atual cenário tarifário tenha um impacto relativamente maior em nosso negócio de energia em comparação com o automotivo, estamos tomando medidas para estabilizar o negócio a médio e longo prazo e focar na manutenção de sua saúde”, disse a Tesla no relatório de lucros.
Musk também entrou em conflito com Peter Navarro, o arquiteto das políticas comerciais de Trump, e a Casa Branca disse que seu papel no governo, que originalmente deveria continuar até 2026, poderia terminar bem antes disso, uma vez que seu trabalho com o Doge esteja concluído.
A margem operacional do primeiro trimestre da Tesla também caiu de 5,5% para 2,1% no ano anterior.
Durante a teleconferência com analistas na terça-feira (22), Musk disse que, a partir de maio, vai reduzir “significativamente” seu trabalho como funcionário especial do governo dos EUA. A fala do magnata fez com que as ações da Tesla subissem no final do pregão do dia.
“Provavelmente no próximo mês, em maio, meu tempo dedicado ao Doge [Departamento de Eficiência Governamental dos EUA] cairá significativamente”, disse Musk. Ele também afirmou que seu envolvimento com o governo Trump continuará até o “restante do mandato”, porém com a Tesla recebendo a maior parte de sua dedicação.
Nas negociações do pós mercado em Nova York, as ações da Tesla subiam 7,8%.