Lula cobra de ministros reação à ofensiva de governadores de direita na segurança

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O presidente Lula (PT) - Adriano Machado - 7.ago.2025/Reuters

O presidente Lula (PT) convocou ministros do seu governo que já foram governadores para tratar da crise da segurança no país e pedir articulação política para aprovação de pautas da gestão petista sobre o tema —como a PEC da Segurança e o texto original do PL Antifacção, que tramita na Câmara.

Após a reunião da quinta-feira (13), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que os ministros estavam alinhados à visão do governo sobre o assunto e foram incentivados por Lula a sensibilizar o Congresso e fazer enfrentamentos.

Sete titulares da Esplanada que já chefiaram governos estaduais estiveram no encontro: Camilo Santana (Educação), ex-gestor do Ceará; Geraldo Alckmin (Indústria), de São Paulo; Renan Filho (Transportes), de Alagoas; Rui Costa (Casa Civil), da Bahia; Waldez Goés (Desenvolvimento Regional), do Amapá; e Wellington Dias (Desenvolvimento Social), do Piauí.

A convocação demonstra uma reação à movimentação de governadores da direita, que se mobilizaram em apoio ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e contra o governo federal após a megaoperação policial do estado que matou 121 pessoas.

A reunião também teve a participação dos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Fernando Haddad (Fazenda).

O relatório de Guilherme Derrite (PL-SP) sobre o PL Antifacção alterou pontos centrais da proposta original do governo. Mesmo após três versões de pareceres, houve pressão de parlamentares governistas, de centrão e oposição para que pontos fossem alteados, o que levou ao adiamento da votação.

Integrantes da base de Lula pedem preservação de aspectos da proposta original, como a manutenção dos poderes e recursos financeiros da Polícia Federal. Já a oposição diz que o texto continua insuficiente para enfrentar o tema.

De acordo com um político que participou da reunião desta quinta, a ideia do encontro foi discutir a tramitação do projeto antifacção e entender os motivos para tantas idas e vindas nos relatórios de Derrite, movimento considerado estranho e oscilante pelos presentes.

Ele afirma que chamou a atenção, principalmente, o ponto do parecer que enfraquecia a atuação da PF, reforçando a narrativa governista de que a proposta trazia brechas para a proteção de parlamentares. Além disso, disse que foi feita a avaliação que o relator teve sua imagem desgastada nesse processo, já que desagradou a direita, o centrão e a esquerda —e ainda sofreu críticas nas redes sociais.

Na quarta (12), ministros e secretários da Secretaria de Comunicação, da Secretaria de Relações Institucionais, da Casa Civil e do Ministério da Justiça se reuniram no Palácio do Planalto para definir as estratégias acerca da proposta.

No mesmo dia, Castro e os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG), e Jorginho Mello (PL-SC), além da vice governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF), reuniram-se com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para discutir mudanças ao projeto.

Eles indicaram que apoiam o texto de Derrite, mas disseram ainda o considerar insuficiente.

O PL Antifacção

A tramitação do PL Antifacção ampliou a disputa política entre governo e oposição acerca da segurança pública após a operação policial contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

A proposta foi enviada pelo Palácio do Planalto, mas o governo Lula acabou contrariado com a decisão de Motta de entregar a relatoria a Derrite, secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

A primeira versão do texto de Derrite, na visão de governistas, abria brecha para o enfraquecimento da soberania nacional e da ação da Polícia Federal, algo que o relator classifica como narrativa falsa.

O governo e o PT passaram a defender a PF e relacionar o projeto antifacção à PEC da Blindagem e, diante do desgaste público, Derrite desistiu das medidas mais polêmicas e disse que iria preservar a competência da PF —o que foi visto como uma vitória para a esquerda.

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