Lula critica Otan por aumento de gastos militares e fala em falta de prioridade

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O presidente Lula (PT). - Gabriela Biló - 4.fev.2025/Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o aumento de gastos militares da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos. Recentemente o grupo aprovou nova meta de gastos com defesa para 5% do PIB (Produto Interno Bruto) de cada um de seus 32 membros.

“A recente decisão da Otan alimenta a corrida armamentista. É mais fácil destinar 5% do PIB para gastos militares do que alocar o 0,7% prometido para Assistência Oficial ao Desenvolvimento [indicador de ajuda externa ligado à OCDE]”, disse Lula na abertura da cúpula de líderes do Brics, no Rio de Janeiro, no domingo (6).

“Isso evidencia que os recursos para implementar a Agenda 2030 existem, mas não estão disponíveis por falta de prioridade política. É sempre mais fácil investir na guerra do que na paz”, afirmou o presidente.

Há uma série de desfalques entre os principais líderes de países do Brics, como o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin, que participa por vídeo, mas os impasses relativos à declaração final de líderes foram superados em meio a tensas negociações.

O texto final faz poucas menções à Guerra da Ucrânia, principal conflito mundial a opor a Rússia e a Otan. Países da aliança ocidental apoiam Kiev financeira e militarmente, e a aproximação do grupo do entorno russo é um dos argumentos de Moscou para justificar suas ações na Ucrânia, que o Kremlin considera no mínimo parte de sua esfera de influência.

“É urgente que as partes envolvidas na Guerra na Ucrânia aprofundem o diálogo direto com vistas a um cessar-fogo e uma paz duradoura. O Grupo de Amigos para a Paz, criado por China e Brasil e que conta com a participação de países do Sul Global [grupo de países emergentes], procura identificar possíveis caminhos para o fim das hostilidades”, afirmou Lula.

A cúpula mais recente da Otan foi desenhada para agradar o presidente americano, Donald Trump, que é ao mesmo tempo o principal fiador e cético da estrutura da organização. O republicano reforçou diversas vezes, mesmo antes de voltar à Casa Branca, que países-membros deveriam aumentar seus gastos militares.

Inicialmente reticentes a essa demanda, os europeus mudaram sua posição com o avançar da Guerra da Ucrânia e a entrada de Washington como um negociador que emula argumentos do Kremlin. Sob Joe Biden, os EUA mantiveram oposição constante a Moscou, ainda que enviando armamentos a conta-gotas a Kiev com o intuito de evitar uma escalada do conflito.

Na cúpula em junho, no entanto, aprovada a nova meta criticada no sábado (5) por Lula, Trump mudou o discurso. “Essas pessoas [os líderes europeus] realmente amam seus países, não é uma farsa. Nós estamos aqui para ajudá-los a proteger seus países”, disse o republicano.

A crítica do brasileiro à aliança militar se junta a outras partes de sua declaração em defesa do multilateralismo e da solução diplomática de controvérsias, além de críticas às ações de Israel na Faixa de Gaza, que voltou a chamar de genocídio.

O presidente também condenou o que chamou de violação territorial cometida contra o Irã e os atentados recentes na Caxemira, região disputada por Índia e Paquistão, duas potências nucleares.

A declaração final dos líderes do Brics traz críticas a ações de Israel na Faixa de Gaza, no Líbano e na Síria, mas preserva Tel Aviv e o governo Trump de responsabilidade pelos recentes ataques contra o Irã, membro do grupo, apesar de condenar a ofensiva.

O conflito no Leste Europeu é praticamente ignorado nos 126 parágrafos da declaração final. Por outro lado, há condenação de ataques ucranianos à Rússia, sem qualquer menção às ofensivas do país invasor ao território ucraniano.

Nos poucos trechos em que a Guerra da Ucrânia aparece, o grupo reitera de forma branda as posições tomadas no âmbito das Nações Unidas. A condenação “nos termos mais fortes” ocorre apenas contra ataques à infraestrutura civil em território russo, nomeando alguns episódios.

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