Lula critica Trump por negociação de paz na Ucrânia que não ouve Zelenski
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: 20/03/2023REUTERS/Adriano Machado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou na quarta-feira (19) as negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, iniciadas na véspera na Arábia Saudita, mas sem representantes de Kiev e da União Europeia. Lula também disse que o Brasil não enviará tropas para a Ucrânia.
As declarações de Lula ocorreram ao lado do primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, no Palácio do Planalto, em Brasília. O presidente citou a iniciativa de seu homólogo americano, Donald Trump, nas negociações para o fim da guerra e disse que é preciso chamar os dois países envolvidos à mesa.
Lula ecoou as críticas ao presidente dos Estados Unidos, segundo as quais não é possível iniciar um diálogo que encerre a guerra no Leste Europeu buscando apenas o lado de Vladimir Putin, o presidente da Rússia. O líder do país invadido, Volodimir Zelenski, não foi convidado a participar das negociações.
“Eu também acho errado”, disse Lula. “Não é nem chamar só o Putin ou chamar só o Zelenski. Tem que chamar os dois e colocar na mesa de negociação e encontrar um denominador comum que possa reestabelecer a paz.”
Lula então afirmou que o Brasil tem a tradição de tentar promover sempre a paz, sendo contra guerras e divergências. Por isso, segundo o presidente, o país repudiou a invasão da Ucrânia, “o genocídio na Faixa de Gaza” e os bloqueios impostos aos regimes de Venezuela e Cuba.
Em outro momento, o brasileiro voltou a mencionar a guerra no Leste Europeu e afirmou que o “problema da Ucrânia” será resolvido numa mesa de negociação, inclusive ouvindo a União Europeia. “O papel do Trump de querer negociar sem querer ouvir a União Europeia é ruim, muito ruim. A União Europeia se envolveu nessa guerra com muita força e agora não pode ficar de fora de negociação. Penso que é possível, e se Trump estiver jogando de verdade e quiser a paz, ele pode conseguir”, disse Lula.
O presidente também negou possibilidades de o Brasil enviar tropas para a Ucrânia, num momento em que países como Reino Unido e Suécia estudam enviar militares ao território em guerra. “O Brasil não enviará tropa. O Brasil só mandará missão de paz. Para negociar a paz o Brasil está disposto a fazer qualquer coisa. E é por isso que o Brasil tem brigado há dois anos, e o Brasil não mudará de posição.”
“Quando os dois países quiserem sentar para conversar sobre paz, nós estaremos na mesa de negociação se assim interessar aos países”, disse.
Segundo a revista The Economist, autoridades dos EUA sugerem que uma eventual força de paz na Ucrânia tenha soldados de países não europeus, citando Brasil e China. A publicação atribui ao vice-presidente americano, J. D. Vance, a reflexão de que uma missão exclusivamente europeia seria menos eficaz para dissuadir ataques de Putin.
Brasil e China apresentaram no ano passado uma proposta própria para encerrar a Guerra da Ucrânia. O texto continha passos como cessar-fogo imediato, retomada de negociações de paz e respeito à soberania territorial, mas foi descredibilizado por EUA e União Europeia devido à falta de exigências para a retirada russa e à proximidade de Pequim com Moscou.