O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a proteção da biodiversidade é condição para o desenvolvimento sustentável. A declaração ocorreu durante a abertura da Sessão de Alto Nível da Convenção sobre Espécies Migratória da ONU (COP15), realizada em Campo Grande (MS), neste domingo (22). O evento reúne delegações internacionais e tem programação oficial prevista entre segunda-feira (23) e domingo (29).
Durante a cerimônia, Lula destacou a importância da cooperação entre países e apresentou prioridades da presidência brasileira no encontro.O presidente afirmou que a preservação ambiental depende de ação conjunta entre nações e ressaltou o papel das espécies migratórias no equilíbrio ecológico.
“Proteger esses animais é proteger a própria vida no planeta”, disse. Segundo Lula, a conferência reforça a necessidade de integração entre políticas ambientais globais e de ampliação de recursos para países em desenvolvimento. Ele também citou a proposta de universalização da chamada Declaração do Pantanal.
Prioridades e medidas anunciadas
O chefe do Executivo indicou três eixos para a atuação brasileira: articulação com acordos internacionais sobre clima, biodiversidade e desertificação; mobilização de financiamento para ações ambientais; e ampliação da participação de países na proteção de espécies migratórias. Durante o discurso, Lula anunciou a criação de uma unidade de conservação no norte de Minas Gerais, com 41 mil hectares, além da ampliação de áreas protegidas no Pantanal e na Estação Ecológica de Taiamã, no Mato Grosso.
O presidente citou dados recentes sobre políticas ambientais, incluindo a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, além da diminuição das queimadas no Pantanal. Também mencionou iniciativas como a criação de áreas marinhas protegidas e a candidatura de Abrolhos ao Patrimônio Mundial da Unesco. Lula afirmou que o Brasil pretende alcançar a meta de proteger 30% da área oceânica até 2030, conforme acordos internacionais.
Ao abordar o cenário global, o presidente mencionou tensões geopolíticas e criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança da ONU na resolução de conflitos. “Um mundo sem regras é um mundo inseguro”, afirmou. Ele também defendeu o fortalecimento do multilateralismo e políticas de acolhimento, em contraposição a discursos de exclusão.
Discurso na íntegra
“Querido amigo, Santiago Peña, presidente da República do Paraguai e sua delegação de ministros que o acompanham.
Querido amigo, Fernando Aramayo Carrasco, ministro das Relações Exteriores da Bolívia.
Meu caro amigo Eduardo Riedel, governador do Mato Grosso do Sul e sua senhora, Monica Riedel. Adriana Lopes, prefeita de Campo Grande.
Queria aproveitar para agradecer ao governador e à prefeita pela ajuda inestimável que eles deram para que esse evento pudesse acontecer aqui no estado do Mato Grosso do Sul.
Quero cumprimentar os ministros e ministras que me acompanham. Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia; Simone Tebet, do Planejamento e Orçamento; Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima e Eloy Terena, ministro substituto dos Povos Indígenas.
Senhora Elizabeth Mrema, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Ministro Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça. Embaixador Maurício Lyrio, secretário do Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores.
Rodrigo Agostinho, presidente do IBAMA; Mauro Pires, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade; Enio Verri, diretor-geral da Itaipu Binacional e a diretora-executiva da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU.
É uma grande honra para o Brasil sediar a décima quinta Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias.
Dou as boas-vindas a todos os participantes.
Organizar esse evento em Campo Grande, no Estado do Mato Grosso do Sul, é uma escolha estratégica.
Estamos na porta de entrada do Pantanal, maior planície alagável tropical do mundo.
Esta região simboliza a riqueza natural da América do Sul e a interdependência entre países.
A Convenção sobre Espécies Migratórias nos lembra de uma mensagem simples: migrar é natural.
Ao cruzarem continentes, essas espécies revelam que a natureza não conhece limites entre Estados.
A onça-pintada movimenta-se por grande parte das Américas em busca de áreas seguras.
Todos os anos, milhões de espécies atravessam continentes e oceanos.
Essas jornadas conectam ecossistemas e garantem o equilíbrio da vida.
Proteger esses animais é proteger a própria vida no planeta.
A sobrevivência dessas espécies depende da ação coletiva.
A Convenção foi criada em 1979 e contribuiu para o mapeamento de espécies ameaçadas.
Também auxiliou na recuperação de animais como a baleia jubarte e a tartaruga-verde.
Mudança do clima, poluição e atividades sem planejamento são desafios crescentes.
A presidência brasileira da COP15 tem três prioridades.
Dialogar com acordos ambientais globais.
Ampliar recursos financeiros para países em desenvolvimento.
Universalizar a participação na proteção de espécies migratórias.
O tema da sessão mostra que não haverá prosperidade sem proteger a biodiversidade.
Da Amazônia ao Pantanal, formam-se corredores ecológicos essenciais.
É necessário combinar financiamento e gestão compartilhada.
Países da América do Sul mantêm iniciativas conjuntas de preservação.
O combate a crimes ambientais exige cooperação internacional.
Criamos em 2023 um centro de cooperação policial na Amazônia.
Esperamos avanços como o santuário de baleias no Atlântico Sul.
O Brasil retomou políticas ambientais e apresentou resultados.
O desmatamento na Amazônia caiu pela metade.
No Cerrado, houve queda superior a 30%.
As queimadas no Pantanal foram reduzidas em mais de 90%.
O país voltou a participar de iniciativas multilaterais.
Criamos novas áreas de proteção ambiental.
Ampliamos parques e reservas.
Queremos proteger 30% da área oceânica até 2030.
Esta COP15 ocorre em um momento de tensões globais.
A ONU teve papel importante em diversas conquistas históricas.
Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso.
Um mundo sem regras é um mundo inseguro.
A história humana é marcada por migrações e conexões.
Precisamos fortalecer o multilateralismo.
Que esta COP15 avance na defesa da natureza e da humanidade.
Muito obrigado.”