Lula deu aval a Exército para vetar PM em acampamento na noite de 8/1

0
image (25)

Lula. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Flávia Said

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu aval para o Exército vetar a ação da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) no acampamento golpista em frente ao quartel-general de Brasília na noite de 8 de janeiro, após terroristas invadirem e depredarem as sedes dos Três Poderes.

Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, Lula permitiu que o Exército só realizasse a operação de desmonte no dia seguinte, na manhã de 9 de janeiro.

A anuência presidencial foi dada após integrantes da Força informarem a Lula sobre os ricos de conflito e mortes caso a operação para o desmonte do acampamento fosse feita no próprio dia 8. Os militares teriam comunicado ao presidente a presença de pessoas armadas no local.

Relatos feitos à Folha dão conta de que o presidente queria que os bolsonaristas fossem presos ainda naquele dia, mas concordou com o adiamento diante dos alertas.

Registros do dia 8 mostram integrantes do Exército fazendo uma barreira para proteger os manifestantes e obstruir a entrada de acesso ao QG. Além da tropa de soldados, blindados foram posicionados para barrar o acesso dos policiais.

Opções foram discutidas

De acordo com o jornal, inicialmente o interventor na segurança do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, ordenou a entrada dos policiais na área militar para prender os golpistas.

Cappelli se reuniu com o general Gustavo Henrique Dutra, comandante militar do Palácio do Planalto, na Catedral Militar Rainha da Paz, em Brasília, logo após os bolsonaristas radicais serem dispersados da Esplanada dos Ministérios e voltarem ao acampamento.

Dutra discordou da estratégia e argumentou com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, que a melhor decisão seria realizar o desmonte na manhã do dia seguinte.

Em rápida conversa por telefone com o presidente Lula, o comandante militar afirmou que uma operação noturna, sem planejamento, poderia resultar em confusão. Havia receio entre os militares de que um possível descontrole do desmonte do acampamento causasse correria, confronto com a polícia e violência.

Lula, então, concordou que a melhor opção seria realizar a operação apenas no dia seguinte. No entanto, ele ressaltou que os golpistas eram criminosos e que as prisões deveriam ser feitas.

Desocupação no dia seguinte

Na manhã do dia 9, mais de 50 ônibus do sistema de transporte coletivo público do DF chegaram ao QG do Exército para transportar os cerca de 1,2 mil bolsonaristas do local para unidades da polícia, onde prestaram depoimento.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...