“É exatamente pelo fato de estarmos distantes que podemos ter tranquilidade de não entrar no clima em que estão os europeus. Podemos entrar em um clima de quem vai construir a paz. (…) O mundo começa a cansar, os países começam a cansar. Vai chegar o momento em que teremos paz, e teremos de ter um grupo de países capazes de conversar com a Rússia e a Ucrânia”, destacou Lula à imprensa.
Apesar das falas em questão, a cúpula fez uma declaração conjunta que faz menção ao confronto entre os dois países, ainda que não hostilize a Rússia abertamente. O único país que não concorda com o posicionamento da Celac sobre o conflito é a Nicarágua.
O presidente do Chile, Gabriel Boric, respondeu a críticas que recebeu do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizendo que não se sente ofendido e tem “infinito respeito” pelo brasileiro. Ainda assim, Boric reforçou que é preciso condenar com clareza a invasão russa da Ucrânia.
“Eu tenho respeito infinito e muito carinho por Lula”, disse Boric, na quarta-feira (19/7), ao chegar a Paris. “Mas se me perguntam: ‘Quer que termine a guerra?’ [eu digo] Sim, quero que termine a guerra. Mas temos que ser muito claros e dizer que estamos numa guerra de agressão inaceitável, independentemente de discursos”, seguiu Boric, que criticou, durante cúpula de países latinos e europeus, chefes de Estado que evitam condenar a Rússia abertamente.
Mais cedo, também ontem, Lula criticou Gabriel Boric em relação ao posicionamento dele sobre a guerra na Ucrânia. “Eu não tenho por que concordar com o Boric, é uma visão dele. Eu acho que a reunião foi extraordinária. Possivelmente, a falta de costume de participar dessas reuniões faz com que um jovem seja mais sequioso (sedento) e apressado, mas as coisas não são assim”, afirmou Lula durante coletiva de imprensa. Veja:
“Queremos que termine a guerra”, insistiu Boric, perguntado por repórteres chilenos que o acompanham em Paris. “Eu, com Lula, tenho respeito, carinho. Não temos diferenças substantivas e não tenho dúvidas de que estamos pela paz. Não me sinto ofendido [pelas críticas]. Somos da mesma família política”, disse.
Durante a reunião Celac-UE, o presidente do Chile criticou países da região que resistiam a condenar a Rússia e colocavam em risco a declaração conjunta. “Acho que é importante que a América Latina diga claramente que o que está acontecendo na Ucrânia é uma guerra de agressão imperialista, inaceitável e que viola o direito internacional”, disse o chileno. “Compreendo que a declaração conjunta está travada hoje porque alguns não querem dizer que é uma guerra contra a Ucrânia. Hoje é a Ucrânia, mas amanhã pode ser qualquer um de nós”, frisou Boric. Veja:
Outra divergência
Não é a primeira vez que Lula e Boric divergem publicamente. O presidente do Chile criticou o discurso do mandatário brasileiro em defesa de Nicolás Maduro, da Venezuela, durante a Cúpula de Presidentes da América do Sul, realizada em maio, em Brasília. À época, o chileno afirmou que é “impossível fazer vista grossa para as violações de direitos humanos na Venezuela”.